Ruy Chaves: Cortar na própria carne dos outros

Políticos continuam a defender bandeiras das trevas, criando leis que os protegem e a seus cúmplices em crimes de lesa-pátria, hediondos, em afronta à nação e a seus valores

Por O Dia

Rio - O Brasil tem carga tributária entre as maiores do mundo e serviços públicos entre os piores do mundo. Agravadas por brutais níveis de corrupção, também entre as maiores do mundo, as contas fecharão em 2016 deficitárias em R$ 170 bilhões, mas a PEC que pretende congelar gastos públicos nos próximos anos enfrenta severa oposição.

Muitos querem continuar a gastar ilimitadamente os impostos extorquidos da sociedade. Lembrando Hobbes, são tempos de guerra de todos contra todos, homem lobo do homem, tempos de crise de legitimidade pela perda da credibilidade: homens e instituições não creem nos homens e nas instituições.

A política é ciência e arte, mas o mais capaz de fazer o bem é exatamente o mais capaz de fazer o mal. Políticos continuam a defender bandeiras das trevas, criando leis que os protegem e a seus cúmplices em crimes de lesa-pátria, hediondos, em afronta à nação e a seus valores. É hora de cortar na própria carne, dos outros, claro, exigem corporativismos. Farinha pouca, meu pirão primeiro.

Pimenta nos olhos dos outros sempre foi refresco, como uma segunda opinião em exame de próstata. As castas privilegiadas ameaçam: “No meu bolso, não, minhas mordomias são legais, éticas e justas, tenho direito adquirido!” Então, é beber o sangue dos outros, dos subcidadãos, dos que não têm voz.

Quanta gente carente, dependente de auxílios para viver dignamente! Pobres têm o Bolsa Família e o Minha Casa, Minha Vida. Príncipes intocáveis da falsa República têm artifícios para superar o teto constitucional de salários, os auxílios-moradia, Educação e paletó; acúmulo de função, jetom, carro com motorista, férias especiais remuneradas especialmente, nepotismo cruzado e assessores para seus assessores.

No Rio, a crise virou caos. Restaurantes populares que cobravam R$ 2 e serviam 8 mil refeições por dia estão fechados; escolas e universidades públicas, ocupadas; postos de saúde, degradados; salários, atrasados; maus brasileiros refestelando-se na lama de aposentadorias escandalosas!

Instituições têm garantidos repasses sobre o orçado e não sobre o efetivamente realizado: se a receita não veio, dane-se a sociedade, meu pirão primeiro! A saída? Diminuir despesas cortando na própria carne. Dos outros, claro! Ou não? Panta rei.

Ruy Chaves é especialista em Educação

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