MP denuncia homem que ameaçou juiz na Barra na Tijuca

Ele tem 10 dias para apresentar defesa. Teria tomado querosene com remédios

Por O Dia

Rio - Frases em redes sociais como “Bandidos de toga se une a Orcrim (sic)” e “Eu ofereço R$ 50 mil por cabeça, vamos acabar logo com isso” eram o prenúncio da ação de Luiz Pereira Carlos, de 68 anos, contra o juiz da 2ª Vara Cível da Barra da Tijuca, Mário Cunha Olinto Filho, e o advogado da Lamsa, Elísio de Souza, dia 9 de junho.

Uma dívida em processo na Justiça de mais de R$ 3 milhões por ofensas à concessionário levou Luiz à loucura. Naquele dia ele, dirigiu um minicaminhão com destino ao fórum da Barra, mas se envolveu em acidente com sete carros no meio do caminho.

Fórum da Barra da Tijuca chegou a ser fechado no dia 9 de junhoDivulgação

Na denúncia do Ministério Público encaminhada à Justiça, a promotora Gisela Alexandre Brandão ressaltou que na manhã do dia 9 de junho, a filha dele “entrou em contado com a Polícia Militar, a fim de alertá-la de que Luiz estaria disposto a cumprir a ameaça de morte perpetrada nas redes sociais contra as vítimas”.

O magistrado, que estava a caminho do fórum, foi avisado. Olinto, então, determinou que o local fosse fechado por questões de segurança e pediu reforçou do policiamento ao batalhão do Recreio dos Bandeirantes.

Luiz foi denunciado por coação no curso do processo. A pena varia de um a quatro anos de detenção. A juíza da 19ª Vara Criminal, Lúcia Regina Esteves de Magalhães, determinou que ele apresente a sua defesa no prazo de 10 dias.

Segundo investigações da Polícia Civil, Luiz teria tomado querosene com medicamentos. Preso em flagrante pela Polícia Militar, ele foi levado para o Hospital Municipal Lourenço Jorge. Passou pelo Hospital Municipal Jurandir Manfredini até ser transferido para o Hospital Penal Psiquiátrico Roberto de Medeiros.

Luiz começou a ter problemas na Justiça em 2009 quando decidiu atacar a concessionária responsável pela Linha Amarela em uma página no Facebook.

Em função da ação da empresa na 2ª Vara Cível, ele passou a ofender o magistrado, também diretor do fórum da Barra. No dia 24 de junho, o juiz determinou que — como Luiz estava inadimplente — seu nome deveria ser incluído no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC).

À época amigos de Luiz afirmaram que ele não tinha a menor condição de pagar a dívida e apresentava um quadro psiquiátrico grave. Eles questionavam ainda como uma ação por ofensa à Lamsa chegava ao valor astronômico de R$ 3 milhões. Luiz, o magistrado e o advogado, além dos policiais militares responsáveis pela prisão do réu foram convocados para prestar depoimento na 19ª Vara Criminal.

A defesa de Luiz entrou com um pedido de revogação da prisão. Há um habeas-corpus em tramitação na 7ª Câmara Criminal, do Tribunal de Justiça, que foi para as mãos do desembargador Sidney Rosa da Silva. O magistrado pediu para o Ministério Público apresentar seu parecer e informação ao hospital psiquiátrico.