Sorriso Maroto aluga casa para gravar disco 'De Volta Pro Amanhã'

Crise criativa e desejo de mudança motivou o grupo a se confinar e experiência vai virar um documentário para TV

Por O Dia

Rio - Alugar uma casa para compor e gravar um disco, como o Sorriso Maroto fez para conceber seu novo CD, ‘De Volta Pro Amanhã’, é um procedimento usual no mundo do rock. Os Red Hot Chili Peppers fizeram isso em ‘BloodSugarSexMagic’ (1991), os Titãs em ‘Tudo Ao Mesmo Tempo Agora’ (1991)... “Eles foram referências para a gente nisso, inclusive”, conta o vocalista do grupo de pagode, Bruno Cardoso, lembrando que a atitude da banda, de se trancar numa mansão em São Conrado para compor e gravar, veio de uma crise detectada a tempo no Sorriso.

Sorriso Maroto alugam uma casa e fazem um reality show para gravar o disco novoDivulgação

“A gente não estava se sentindo tão criativo. Isso acontece com muitas bandas. Não queríamos entrar em estúdio e gravar só por um compromisso com a indústria, sabe? Queríamos fazer as coisas num momento legal para a gente e fazer alguma coisa diferente”, diz, lembrando que, no começo do grupo, era como foi na casa. “A gente passava o dia na casa do Cris (percussionista). Ensaiava, via jogo de futebol, nem tinha muito show nem compromisso de ensaio, mas a gente tinha vontade de dominar o mundo. A ideia foi trazer de volta essa vontade de fazer algo mais criativo.”

Bruno foi o maior entusiasta da história, chegando a montar um projetinho no computador para mostrar aos colegas de grupo e a procurar casas. “Fizemos uma busca por várias casas, mas acabamos optando pela primeira, que a gente nem tinha feito contato com o proprietário. Cheguei a sonhar com essa casa”, conta.

O objetivo, enfim, foi criar músicas como ‘Anjos Guardiões do Amor’, ‘Eu Já Te Quis Um Dia’ e ‘O Nosso Bonde É Terrível’ num ambiente tranquilo — e receber amigos como o Roupa Nova, Wesley Safadão e Nego do Borel, que participam do CD, num clima mais acolhedor. Mas tinha uma enorme diferença em relação à casa de Cris: câmeras filmavam Bruno, Cris, Fred (percussão), Sergio Jr (violão) e Vinicius (teclados) o tempo todo, com transmissão direta no YouTube do Sorriso. Depois, o material foi compilado e publicado em vários vídeos, e deve virar um documentário para TV em breve. Até mesmo os momentos de tensão apareceram no reality show da banda, como as dificuldades e discussões para concluir algumas músicas. Ou coisas inusitadas, como apagões na casa durante a gravação.

“A gente até dormiu na casa, mas isso não apareceu muito. Também não era todo dia, porque todos nós moramos na Barra da Tijuca e o imóvel era em São Conrado, bem perto”, relembra Bruno, contando também que a convivência no dia a dia caseiro dava o tom das gravações. “As janelas ficavam abertas, então tinha barulho da chuva que atrapalhava, cachorro latindo. Fora situações com as quais a gente se deparava, como falta de água no estúdio. Um músico deu um tempo para ir ao banheiro e faltou água na hora. Tivemos que parar tudo e pegar água para o cara lavar o... Bom, tomar banho”, graceja.

Em meio ao trabalho, muita brincadeira pela mansão. “Demos liberdade para nós mesmos, não tinha regra. A gente pulava na piscina, soltava pipa. No meu aniversário (31 de março), teve festa surpresa pra mim, Preta Gil e Wesley Safadão apareceram...”, conta Bruno. Rolou muito futebol no gramado, e o cantor revela que quem domina mais a pelota é Cris. “Ele foi jogador profissional de futebol americano. Eu fui semiprofissional, joguei numas escolinhas, fui até federado. Agora, os outros não têm jeito, não... O Sérgio, se deixar, joga de bermuda, tênis, cinto e mocassim!”, brinca.

E os convidados do disco? O Roupa Nova solta a voz em ‘Adeus’, Nego do Borel na safada ‘Soltinha’ e Wesley Safadão em ‘Coincidência Não Existe’. O veterano grupo carioca de música pop é ídolo do Sorriso. “É uma referência para nós e não só na música. Nos perguntamos até se daqui a 15 anos vamos estar como eles”, conta Bruno. “Com o Nego fizemos uma mistura de funk e pagode, como já havíamos feito com Anitta. E Wesley já é um brother. Estávamos há anos para fazer algo juntos.”

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