Profissão Certa: caminho difícil

Juiz federal que decidiu sobre o caso da Renca trabalhou no passado como borracheiro e já acumulou 200 kg de resumos de estudos

Por O Dia

Rio - No fim de agosto, o juiz federal Rolando Valcir Spanholo emitiu uma decisão que foi comemorada pelos ambientalistas de todo o país. Ele suspendeu o decreto que extingue a Reserva Nacional do Cobre e Associados (Renca), assinado pelo presidente Michel Temer. Muitos temiam que a extinção da Renca detonasse uma série de conflitos entre a atividade de mineração, a conservação da biodiversidade, os direitos dos povos indígenas e das comunidades tradicionais. As movimentações resultantes da mineração nessa área seriam potencialmente devastadoras para o ecossistema e as populações locais. Logo depois, o presidente Temer revogou o decreto.

juiz federal Rolando Valcir Spanholo%3A 200 kg em resumos de estudoReprodução Internet

Para chegar ao ponto de decidir sobre questões de interesse nacional, como o caso da Renca, o magistrado Rolando Valcir Spanholo percorreu um longo caminho e superou muitas dificuldades. Filho de uma família pobre, ele trabalhou como borracheiro e para passar nos concursos que o fizeram chegar ao posto atual chegou a acumular 200 quilos de resumos.

Nascido na modesta cidade de Sananduva, no Rio Grande do Sul,tinha quatro irmãos que trocavam de roupa e sapatos entre si para evitar irem todos os dias vestidos do mesmo jeito para a escola.

"Só consegui concluir a graduação porque meus colegas conheciam minha realidade e me emprestavam cadernos para copiar ou tirar xerox das anotações".

O magistrado conta em qual momento se dedicava a analisar a legislação: "O 'horário de estudos' era no ônibus, durante as viagens de ida e volta", conta Spanholo, que só entrou na seleção para a Escola Superior da Magistratura, aos 22 anos, por insistência de um de seus professores. "Aprendi que dificuldades existem para serem superadas. Todos têm dificuldades, uns mais, outros menos, mas todos enfrentam obstáculos para realizar seus sonhos. O que diferencia as pessoas é a forma como elas reagem diante das resistências do cotidiano", diz o juiz.

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