Um prêmio à dupla Espiga e Alberto Bial

Projeto do Basquete Cearense se consolida e colhe frutos

Por O Dia

Rio - O título do Basquete Cearense na LDB - nacional sub-22 - vai além das quadras. É um prêmio e a recompensa ao trabalho da dupla Alberto Bial e Espiga. A missão é consolidar o esporte em Fortaleza. A conquista dá ainda mais ânimo.

Espiga comandou o Basquete Cearense no título da LDBLuiz Pires / LNB / Divulgação

"Representa que está no caminho certo, planejando, sonhando e trabalhando todos os dias. Não é por ser campeão que a coisa é perfeita, não. Tem muitas dificuldades. Conseguimos identificar atletas comprometidos, com história bacana, de conquistar espaço, de ter ambição. Agora é pensar em outro grupo sub-22, renovar o elenco. Essa é linha de atuação. Fizemos escolhas certas", declara Espiga, campeão na base e assistente de Bial no adulto.

Espiga parou de jogar em 2010. Ele logo se juntou a Bial e virou assistente. Na base, auxilia na formação da garotada e trabalha como técnico.

"Estou em formação, trilhando um caminho. Na minha concepção, tento focar nas coisas básicas do jogo. Aquela defesa de um contra um que se não seja ultrapassada, provocar erro e não dar segunda chance. Valorizar a posse de bola, sempre procurar uma melhor situação para finalizar, para ter uma performance melhor. Ter muita disciplina, ter compromisso.Ter um grupo que acredita nisso e que tenha capacidade de exercer as funções. É fazer o básico que a bola de trivela sai naturalmente", conta.

Basquete Cearense foi campeão invicto da LDB%3A feito inéditoLuiz Pires / LNB / Divulgação

O ex-armador tenta colocar em prática todos os ensinamentos que teve na vida de atleta. A lista de técnicos que o inspira é grande...

"Todos com quem eu trabalhei eu tentei sugar o melhor. Flávio Davis, pela organização e quantidade de informação; Bial, um mestre e técnico que mais tempo trabalhei, pela forma de conduzir a equipe; Zé Boquinha, pela forma de lidar com jogador; Byra Bello, um professor, passei a acreditar na forma de explicar, passar conhecimento. Miguel Ângelo da Luz, meu primeiro técnico, aos 10 anos, no Vasco; Márcio Andrade me fez gostar de basquete, um cara único, com ditados que marcam até hoje e na forma de dar treino. Aprendi com técnicos estrangeiros: Flor Melendez e Carlos Duro, metodologias diferentes; Luiz Brasília, fomos campeões juvenis invictos. Foi muito marcante. Emmanuel Bomfim, um dos mais justos, com conhecimento e experiência enormes. Dei trabalho. Ele me apoiava muito quando era jovem e me chamava para treinar no adulto do Vasco. Cuidou de mim com muito carinho. Tem porcentagem importante na minha formação. Todos eles eu tive prazer de trabalhar. Até os que não gostavam de mim eu tentava tirar alguma coisa boa, bacana", conta.

Alberto Bial tem um capítulo à parte na vida de Espiga. A parceria começou em uma seleção universitária, em 1997, passou pelo Fluminense, Joinville e está no Basquete Cearense. Uma verdadeira amizade e admiração.

"Bial, primeiro de tudo, temos algumas afinidades como pessoa, valores. Não dá para ser igual ao Bial, que tem uma sensibilidade à flor da pele. É fiel às pessoas que trabalham com ele. Um cara justo no dia a dia no trato com atletas, não beneficia ninguém, pode ser a estrela do time. Mais do que história de técnico, a pessoa que eu admiro, um lutador, faz do basquete a vida dele. Não é fácil ser técnico de basquete por 42 anos, desbravando estes projetos por aí. Nós passamos por momentos difíceis. É algo de valores que nos faz sentir tão bem e trabalhar um pelo outro. Não poderíamos ter este sucesso na LDB sem ele ter apoiado. Em nenhum momento ele disse que o Davi ou Erick não poderiam ir. Ele abdicou dele para este sucesso. Ele trabalha com o lado positivo, com as qualidades. Eu mesmo, quando era atleta, desenvolvi as coisas mais difíceis a partir do momento que ele acreditava em mim. Diziam: 'Espiga não pula, é lento'. Ele via as qualidades. Daqui a pouco, estava pulando, minha participação defensiva melhorou, aproveitamento nas bolas de três. Sou muito grato", afirma.

O título da LDB não faz Espiga tirar os pés no chão. Ele ainda não pensa em virar técnico no adulto. O foco está no Basquete Cearense.

"É continuar o trabalho pelo Basquete Cearense. Temos a missão de desenvolver o esporte por aqui. Sou envolvido. Espero que o Bial continue acreditando em mim para formar um nova equipe sub-22. O mercado é difícil, temos bons técnicos. É ter os pés no chão e trabalhar para o Basquete Cearense perdurar por muitos anos. Bial está me formando. Ele brinca que daqui a 40 anos, quando ele parar, vai me dar a oportunidade", acrescenta Espiga.

Espiga na época em que defendeu o Fluminense%3A carinho eternoArquivo O Dia

Recordação do Rio

Espiga guarda com carinho a época em que atuou no Rio, em clubes como Vasco, Tijuca, Jequiá e Fluminense.

"Sou grato ao Vasco por toda minha formação como atleta e pessoa. Os técnicos que me ensinaram, deram bronca, passaram a mão na minha cabeça, mostraram o caminho das pedras. Eu não era fácil na adolescência... O Vasco faz parte da formação da minha personalidade. O Tijuca, num momento difícil da carreira, voltei de São Paulo, e o clube abriu as portas, fomos campeões da Liga B e subimos para a Liga Nacional. Jequiá, outro momento difícil, abriu as portas para mim. Byra foi meu técnico lá. Estava na faculdade, na cadeira de basquete, trocava muita figurinha. Byra foi quem me levou para o basquete", relembra.

O Fluminense tem um espaço especial no coração de Espiga: "Foi um divisor de águas. Um dia a dia muito prazeroso. Tive uma identificação muito grande. Passei três anos lá, foi quando encontrei com Bial. Ficava rodando e a carreira não ia. No Fluminense eu pude dar prosseguimento. O Fluminense recomeçando e eu querendo. Foi muito legal. Vestir a camisa do Fluminense na Terceira Divisão do futebol, com engajamento para melhorar. Não sou tricolor de nascimento, mas me tornei tricolor. Fui muito a jogo em arquibancada na Terceira Divisão, tive contato com jogador de futebol."

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