Ibovespa fecha perto da estabilidade em dia de giro fraco

Ações da Petrobras e da Vale pressionam o índice. Preocupações com a Grécia refletem no dólar, que sobe 0,83%, cotado a R$ 2,86

Por O Dia

A bolsa paulista fechou praticamente estável nesta quinta-feira, mantendo a sequência positiva que já alcança quatro pregões, mas novamente com giro financeiro abaixo da média, evidenciando a cautela dos investidores em relação ao recente rali.

As ações de educação lideraram a alta do Ibovespa, em meio a cobertura de posições vendidas e busca por barganhas. Mas o movimento de realização de lucro com as ações da Petrobras e Vale pressionou o principal índice da Bovespa, que fechou com variação positiva de 0,03%, aos 51.294 pontos.

O volume financeiro da sessão foi de apenas R$ 4,7 bilhões, abaixo da média do mês, de R$ 7,8 bilhões.

Na visão do trader Thiago Montenegro, da Quantitas Asset Management, o segmento de commodities vem apresentando bastante volatilidade, característica de um mercado em busca de um piso e de reversão, o que explica a volatilidade na bolsa local, em especial dos papéis da Vale e Petrobras.

No caso da estatal, as preferenciais caíram 3,66%, acompanhando o declínio do petróleo, mas ainda acumulam em fevereiro alta de quase 20%.

As preferenciais da Vale fecharam em queda de 2,51%, em sessão que incluiu dados de produção da mineradora, considerados de modo geral neutros por analistas. 

Montenegro, da Quantitas, ressaltou que o fluxo de estrangeiro tem sido consistente desde o início do ano, o que ajuda a explicar o desempenho da Bovespa no acumulado do ano, embora avalie que o movimento de alta da bolsa paulista não irá se manter.

As ações das empresas de educação Kroton e Estácio Participações avançaram 9,22% e 5,73%, respectivamente, com operadores citando cobertura de posições por agentes que tinham alugado os papéis para vendê-los (short squeeze).

Mais cedo, relatório da Votorantim Corretora chamou a atenção para a possibilidade de "short squeeze" em Estácio dado o elevado nível de demanda no aluguel dos papéis, que impulsionou a taxa média de aluguel para acima de 20 por cento.

Profissionais do mercado de renda variável também citaram algumas compras em busca de barganhas, citando que Kroton, por exemplo, acumulava até a véspera perda ao redor de 30%  em 2015, enquanto Estácio recuava quase 22 por cento.

As ações de Kroton e Estácio vêm sofrendo desde o início do ano após mudanças nas regras do programa de financiamento estudantil Fies no final de 2014, em meio a incertezas sobre o impacto nas empresas após forte valorização das ações nos últimos anos.

A ação da fabricante de ônibus Marcopolo disparou 7,69%, com operadores citando que está difícil alugar papéis da empresa, já que quase 10% das ações negociadas no mercado são alugadas.

Operadores também atrelaram a alta a especulações em torno de um comunicado da empresa informando reunião do Conselho de Administração no dia 23 de fevereiro para deliberar sobre dividendos do exercício 2014, juros do exercício 2015 e recompra de ações.

Outro suporte relevante para a nova alta do Ibovespa veio de BB Seguridade, que subiu 4,38%, após o JPMorgan elevar a recomendação da ação para "overweight", avaliando que é um dos melhores nomes para "navegar o ambiente macro no Brasil devido à baixa dependência de atividade econômica".

Dólar

O dólar subiu 0,83%, cotado a R$ 2,8657, nesta quinta-feira, com investidores ainda mostrando preocupação com a economia brasileira e a crise em torno da dívida da Grécia, que novamente entrou em impasse com seus credores europeus após a Alemanha rejeitar seu pedido de extensão do resgate.

"Na dúvida, o mercado tem comprado dólares. Como tanto aqui quanto lá fora têm sido fontes de incertezas, qualquer queda acaba se mostrando temporária", disse o operador de câmbio da corretora Intercam, Glauber Romano.

A perspectiva de contração econômica neste ano, combinada com inflação alta, tem sido um dos principais fatores por trás da escalada recente da divisa norte-americana. Alguns investidores temem um rebaixamento da classificação de risco brasileira, diminuindo a atratividade de ativos domésticos.

Além disso, o impasse em torno da dívida da Grécia, que também vem contribuindo para a alta do dólar, continuou gerando ruídos.

O governo grego solicitou nesta quinta-feira uma extensão de seis meses de seu programa de resgate, prometendo honrar suas dívidas e não tomar medidas unilaterais que afetem as metas fiscais. Mas o porta-voz do ministério das Finanças da Alemanha afirmou que a proposta não representa uma solução substancial.

"Mais do que tudo, o mercado quer clareza. Chegamos a um ponto em que o mercado ficou cético quanto à Grécia", disse o operador de uma corretora nacional.


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