Companhia brasileira de software investe em aceleração de start-ups

Para encurtar o caminho e o contato com o desenvolvimento de inovações, Senior criou um programa para selecionar até dez projetos de todo o país

Por O Dia

Em polos como o Vale do Silício, o investimento de empresas de maior porte em companhias novatas é uma cultura já enraizada e que ajuda a alimentar toda a cadeia de inovação. No Brasil, essa abordagem ainda está mais restrita às multinacionais que operam no país. Empresa de software de gestão, a brasileira Senior está desafiando esse comportamento. A companhia está lançando a primeira edição do Inove Senior, programa de aceleração voltado a start-ups. Mais que uma iniciativa isolada, a ideia é estabelecer um fluxo contínuo de relação com projetos de inovação e incorporar a prática às estratégias de crescimento da empresa para os próximos anos.

O projeto começou a ser desenhado em 2013 e envolveu, entre outros processos, visitas a empresas como Google e Microsoft, universidades, centros de pesquisa, start-ups e aceleradoras no Vale do Silício. “Temos demandas de clientes que não conseguimos atender. Hoje, por conta do volume das nossas operações, muito do que fazemos está restrito à inovação incremental. É um problema de muitas empresas que atingem um certo porte. Às vezes elas ficam míopes e não enxergam o que está acontecendo em termos de inovação externa”, diz Alencar Berwanger, diretor de marketing e produtos da Senior.
Com inscrições abertas até fevereiro, o programa é válido para start-ups de todo o país, com ênfase em soluções para o mercado B2B. A expectativa da Senior é receber cerca de 200 projetos, que serão avaliados por um comitê formado por executivos externos e da empresa. Nessa fase inicial, serão selecionados até dez projetos, que receberão um aporte de R$ 40 mil e terão nove meses para colocar suas ideias em prática. Nesse período, os empreendedores contarão com o apoio da infraestrutura da Senior, o que inclui recursos administrativos, de marketing, de tecnologia e o contatos com clientes da base da empresa. Cada projeto terá ainda uma verba adicional de R$ 40 mil para cobrir custos operacionais.

A cidade de Florianópolis vai abrigar essa primeira edição. Segundo Berwanger, a proximidade com a sede da Senior, em Blumenau, e o fato de a capital catarinense já possuir um ecossistema de empreendedorismo contribuíram para essa decisão. No dia a dia, as start-ups contarão com o apoio da Acelere, aceleradora local, e de um gestor da Senior. A companhia avalia agora qual será a estrutura que abrigará essas operações durante os nove meses de desenvolvimento. Uma das opções são os espaços de coworking.

Concluído o período, cada start-up poderá receber uma segunda rodada de investimentos, no valor de R$ 200 mil. Diferentemente da primeira fase, na qual os aportes serão baseados apenas no direito de compra das operações, essa etapa envolverá a compra de participações. O volume acionário irá variar de acordo com o projeto. Para esses aportes, a companhia está constituindo — com recursos próprios — a Senior Participações, que responderá por todas as iniciativas da empresa nessa frente.

Entre os critérios para esse novo aporte, a Senior irá avaliar questões como o tamanho potencial do mercado — nacional e global —, e os clientes conquistados no período de desenvolvimento. O alinhamento com o portfólio e o mapa de inovação da Senior será um elemento adicional. Nessa frente, soluções para setores como agronegócios, varejo, logística, manufatura e governo poderão ter vantagem. “Estamos olhando projetos ligados à nuvem, mobilidade, social e sistemas analíticos”, diz Berwanger.

Os esforços de inovação da Senior não estão limitadas ao mercado externo. Recentemente, a companhia criou seu primeiro programa para receber ideias de seu próprio time. Um projeto foi selecionado e já está sendo tocado por três profissionais, que podem dedicar 20% de seu tempo na empresa a essa iniciativa. No modelo, essa equipe terá um prazo de quatro meses para desenvolver a solução em conjunto com um ou mais clientes. Se a ideia for bem sucedida, a tecnologia será incorporada ao portfólio da Senior e esses colaboradores passarão a ter uma participação — não revelada — na receita da empresa. “Esses programas — internos e externos — serão contínuos e incorporados à nossa operação. No futuro, queremos atrair outros investidores de risco. Esse será um bom termômetro de que estamos no caminho certo”, afirma.

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