Editorial: Comando com prazo de validade

No Brasil grassa a prática de enterrar sob os ombros de uma só pessoa os equívocos de um numeroso e pluridimensionado coletivo

Por O Dia

Rio - No Brasil grassa a prática de enterrar sob os ombros de uma só pessoa os equívocos de um numeroso e pluridimensionado coletivo. Age-se dessa forma sobretudo em times de futebol, onde o prestígio do técnico pode ser tão curto quanto o tempo entre o sopro e apagar da vela. Tão efêmero quanto a sobrevida de ‘professores’ é o comando da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro. Ontem destituiu-se do cargo o coronel Erir Ribeiro, que não conseguiu ficar dois anos à frente das tropas. Período semelhante foi confiado ao antecessor, Mário Sérgio Duarte, igualmente defenestrado depois de uma crise.

É pertinente perguntar até onde vai a culpa do comandante em todos os processos de fritura e cremação dos gestores da força. Sem dúvida o chão da tropa participa do insucesso, e há que considerar a influência dos que estão acima dos ceifados. Isso porque mudam-se as cabeças, mas, a despeito dos inegáveis avanços, graves problemas continuam. Basta fazer um breve retrospecto.

A sociedade não pode tolerar existirem Amarildos e Patrícias Aciolis. No primeiro caso, ainda que se confirme não ter havido participação da polícia, é inadmissível que um cidadão desapareça sem traços no instante seguinte de ter ficado sob a guarda do Estado. No segundo, comprovadamente com a ação letal e enojante de oficiais, uma defensora da Lei foi silenciada por descontentes inescrupulosos. São questões gritantes que merecem respostas imediatas, mas mudar o comando não necessariamente sacia as dúvidas. É importante ter isso em mente nesta reformulação da PM, pois do contrário será trocar seis por meia dúzia.

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