Frei Betto: Chegou o dia da eleição!

Enquanto eu for obrigado a sustentar a máquina do Estado, faço questão de decidir quem vai ocupá-la

Por O Dia

Rio - Quase 143 milhões de eleitores escolhem, hoje, quem governará o Brasil e cada um dos estados da Federação; um senador e um deputado federal para representar-nos no Congresso Nacional, em Brasília; e um deputado estadual para a Assembleia Legislativa.

Alguns preferirão a via da omissão: voto branco ou nulo. Ou mesmo abstenção. O que equivale a deixar tudo como dantes no quartel de Abrantes...

Embora isento de votar, pela minha idade, irei à urna. Mesmo porque sou a favor do voto obrigatório. Mudo de posição no dia em que pagar imposto for facultativo. Enquanto eu for obrigado a sustentar a máquina do Estado, faço questão de decidir quem vai ocupá-la.

Um único voto pode garantir a vitória eleitoral. Foi o que ocorreu a Veridiana Pasini, 39 anos, em Coronel Pilar (RS). Candidata a vereadora em 2012, mereceu apenas o próprio voto. Nem o marido votou nela... (Sei lá como ela reagiu). Ficou como sétima suplente. Como o titular da pasta entrou em licença médica e os outros seis suplentes, por motivos diversos, não puderam assumir, Veridiana agora atua na Câmara Municipal. Como ela mesma declarou, entrou na política literalmente de gaiata: “Eu não esperava. Concorri para preencher a cota de mulheres candidatas na coligação e optei por não fazer campanha.”

Você anota os nomes de quem mereceu seu voto para o Legislativo? Acompanha o desempenho deles? Ou faz como a maioria, que reclama da política mas nem sequer controla a atuação de quem ajudou a eleger? Isto aprendi em meus dois anos como assessor do presidente Lula (2003-2004): governo é que nem feijão, só funciona na panela de pressão.

Tudo indica que teremos segundo turno para a eleição presidencial. Isso significa que o eleitor brasileiro encara o processo eleitoral com olhos críticos. E um dado novo emerge em nosso cenário político: é altamente positivo que a disputa se dê, em um país predominantemente machista como o Brasil, entre duas mulheres! O próprio idioma o comprova: matrimônio, que deriva de mater, mãe, o cuidado dos filhos (e como tem mulheres chefes de família hoje no Brasil!) e da casa. E patrimônio, o cuidado dos bens...

Já reparou que, em denúncias de corrupção, raramente aparece o nome de uma mulher? Podem me acusar de preconceituoso, mas as considero mais éticas e virtuosas do que nós homens. Talvez por isso Deus, em sua sabedoria, tenha concedido a elas o privilégio de parir. Bons votos!

Sou a favor do voto obrigatório. Mudo de posição no dia em que pagar imposto for facultativo.

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