Jaguar: Para ler e ver

Até Paulo Coelho escreve melhor que o vencedor do Nobel de Literatura deste ano

Por O Dia

Rio - 'Cocô’ é o ‘Ulysses’ da literatura infantil. Antes e depois de. A diferença é que entendi tudo do primeiro (Como diria Groucho Marx, uma criança de 7 anos entenderia. Se você não entender, pergunte à criança). Já o livro de Joyce me derrotou: por limitação cultural, não consegui ir além da página 30. Babo de inveja quando alguém diz que está relendo ‘Ulysses’. Estou falando do livro ‘Cocô — uma história natural do indizível’, de Nicola Davies, com ótimas ilustrações de Neal Layton, tradução de Monica Stahel e edição caprichadíssima da WMF Martins Fontes. Na contracapa: “Tudo o que você sempre quis saber sobre as fezes, mas não perguntava por ser polido.” Descobri na Livraria da Travessa — surpreendentemente na seção de livros infantis — no lançamento do novo livro de Heloisa Seixas, ‘O Oitavo Selo’ (Ainda não li, mas já gostei, depois dos elogios de Cony).

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Por falar em livro infantil, ontem Ziraldo fez 82 anos. Durante 128 dias teremos a mesma idade. Em 28 de fevereiro de 2015 eu sopraria, se tivesse fôlego (e chegasse lá), 83 velinhas de um suposto bolo de aniversário, o que justificará sua frase: “O Jaguar é muuuuito mais velho que eu.” Brincadeiras à parte, fui ver a exposição dele na Galeria Scenarium, na Rua do Lavradio. Ele sempre foi um workaholic, não para de produzir. Desta vez aderiu à moda de obras imensas, com pinturas de dois metros. Tudo bem, uma vez que os artistas plásticos invadiram a área dos humoristas. O nome da exposição diz tudo: ‘As Mulheres do Ziraldo’ (famosas, como Brigitte, Marylin e as Demoiselles de Picasso, e carioquinhas anônimas). Tem mestrado e doutorado em bunda de mulher. Curti muito, ainda mais depois da viagem à Europa, 20 dias vendo gringas desbundadas. Meu quadro predileto é o do barquinho (de Bôscoli e Menescal?) que se vê (pegue a lupa) no vão das coxas de uma garota de Ipanema.

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Pra não ficar só nos elogios: por causa das ilustrações de Sempé, comprei ‘Filomena Firmeza’, de Patrick Modiano, ganhador do Nobel de Literatura. Piegas, a começar pelo título. Até o Paulo Coelho escreve melhor. Os velhinhos da Academia sueca devem ter abusado da vodca antes da escolha.

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