Hamilton Werneck: Há planos, falta mestre

O Brasil é excelente em fazer planos; a questão é colocá-los em prática

Por O Dia

Rio - O Brasil é excelente em fazer planos; a questão é colocá-los em prática. Ficando a Educação desprezada por muitos anos, acabamos por enfrentar a realidade de não ter professores preparados. O disparate entre o Distrito Federal e o Maranhão é gritante. Enquanto o primeiro tem mais de 95% com licenciatura plena, o segundo não consegue reunir sequer a metade com esta formação. Como os cortes feitos na Educação não atingem o Fundeb, a não ser indiretamente, as possibilidades de os municípios investirem na formação de seu corpo docente estão mantidas. Resta saber se haverá vontade política.

A Educação Básica é administrada pelos municípios e, neste ponto, reside um dos maiores problemas. Muitos gestores não aceitam a ideia de que estamos na sociedade do conhecimento e que a formação das pessoas é importante. Vejamos: a diferença entre o salário de um operário brasileiro e um americano na construção civil atinge valor de cinco vezes a favor do americano. Já a diferença salarial para os engenheiros, na construção civil, neste mesmo país, mal atinge uma vez e meia. Qual a razão? Educação. A formação dos engenheiros é muito parecida. Já o operário americano tem a formação do Ensino Médio completo, enquanto o brasileiro mal chegou à metade do Básico.

Para atingirmos as metas do 2º PNE, precisamos de professores, e eles poderão conseguir fazer cursos presenciais e a distância que estão disseminados pelo Brasil. Quem já estiver em atividade e quiser melhorar pode recorrer ao Enem e às bolsas do Fies.

A verdade é clara: para conseguir atingir todas as metas propostas até 2024, necessitaremos de professores formados, com licenciatura plena e boa parte com alguma pós-graduação. Só assim será possível adaptar os currículos ao desenvolvimento psicológico da criança, fazer transformações curriculares e programáticas, melhorar as metodologias do ensino e, efetivamente, termos alunos que vão à escola e conseguirão aprender.

Uma parte do leque de medidas está exposta. Sem, contudo, melhorar as condições de trabalho, de transporte e alimentação escolar e salário, com claro e sólido plano de carreira, os docentes, após os cursos de formação, procurarão outros espaços que oferecem melhores condições e continuarão abandonando o magistério.

Hamilton Werneck é pedagogo e escritor

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