Cariocas curtem ressaca depois do vexame da Seleção

Alguns torcedores chegaram a vestir preto em “luto” pela goleada sofrida para a Alemanha

Por felipe.martins , felipe.martins

Rio - No dia seguinte à derrota brasileira de 7 a 1 para a Alemanha, a tristeza podia ser notada na fisionomia abatida de muitos cariocas e no silêncio que tomou conta de algumas ruas do Rio. Houve quem assumisse de vez o clima de velório por conta do vexame que os alemães impuseram à seleção de Felipão, vestindo roupas de cor preta no lugar do verde e amarelo.

A produtora teatral Soraya Macedo, 42 anos, sofreu bastante. “Foi um choque. Me senti de luto e troquei a camisa da seleção por uma preta”, desabafou Soraya. Ela lembra que após o jogo acompanhou o filho, o ator Gabriel Macedo, 13, ao teatro, onde o adolescente ia se apresentar.“De uma plateia de 100, passamos para 30 no dia. O clima pesou e todos estavam para baixo”, completou ele.

O flamenguista Davi Moraes provoca o amigo Rafael Benjamin%2C que mantém o orgulho do futebol brasileiro%3A “Pensemos para frente”Cacau Fernandes / Agência O Dia

O advogado José Fonseca, 48, confessa: revoltou-se quando a Alemanha chegou aos 5 a 0 ainda no primeiro tempo e preferiu desligar a TV: “Não assisti ao segundo tempo, não tive estômago”, disse ele, que chegou a tomar chás para relaxar: “Antes do jogo estava tudo preparado para eu comemorar, beber e comer, troquei tudo isso”, esbravejou.

Morador de Copacabana, o comerciante Edson Moraes, 53, foi curar a ressaca do jogo longe do bairro: “Senti uma frustração enorme. Eu me abalei e chorei. Mas ainda tem coisa pior. Estou rodeado de argentinos. Tive que sair daqui e ficar longe deles, porque não ia aguentar a zoação em cima de nós”, contou.

Nesta quarta-feira, o sentimento era diferente. “É o silêncio que impera. Levei a sério essa derrota. Não deixarei de torcer novamente, mas o momento é de dor”, declarou, abalado, o estudante Márcio Duarte, 27.

Apesar de toda a lamentação, a ressaca vivida pelos torcedores abriu espaço para o ‘troca-troca’ de camisas — houve até brasileiro que decidiu torcer para a Argentina — e provocações flamenguistas. Em manifestações assim, notava-se que a desolação pelo fracasso da seleção não tirou a esperança de torcedores por dias — e partidas — melhores.

Rubro-negros estão em alta

A semelhança da segunda camisa da Alemanha com a do Flamengo voltou a ser destaque um dia após a vitória de lavada dos germânicos. Ontem, muitos rubro-negros tiraram a blusa do time do armário e decidiram homenagear o carrasco do Brasil. Além disso, a derrota da Seleção não impediu alguns de vestirem a camisa brasileira.

“Eu sou brasileiro, antes, durante e depois da Copa do Mundo. Os erros desta seleção não me tiram o orgulho disso e acho que temos que pensar para frente”, decretou o assistente técnico Rafael Benjamin, 26 anos, que levou na esportiva as provocaçëos do amigo flamenguista Davi Moraes, 22.

“Coloquei a camisa para homenagear a Alemanha, que deu aula de futebol, e, claro, porque somos ‘Flalemanha’. Na final, sou Alemanha desde criancinha”, brincou ele.Também flamenguista, a recepcionista Elizabeth Costa, 31, engrossou a torcida Alemã logo após a derrota brasileira: “A minha maneira de lidar com esse resultado foi vir ao trabalho com a camisa do Flamengo. A Alemanha veste o nosso manto”, provocou.

Depois da derrota do Brasil, houve quem trocasse a camisa verde-amarela pela da Argentina, como os estudantes Douglas Alves, 20, e Isabela Lazaroni, 23. “A Alemanha que entrou com o pé quente. Agora já até comprei a camisa hermana para quem torço”, disse Douglas.

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