Adolescente baleado na Rocinha alertou mãe para se proteger dos tiros

'Meu filho terá agora dois aniversários a comemorar, o dia do nascimento e o dia que escapou da morte', disse ela

Por O Dia

Rio -  A mãe do adolescente Wesley Barbosa, 13 anos, atingido por um tiro de raspão na Rocinha, chegou a ser alertada pelo menino sobre os riscos da violência na favela na manhã de tiroteio. Claudionora Barbosa da Silva, 44 anos, estava no sofá da sala próxima da janela quando, segundos depois, Wesley acabou atingido.

"Meu filho terá agora dois aniversários a comemorar, o dia do nascimento e o dia que escapou da morte. Eu tinha acabado de levantar do sofá. Ele me avisou: 'mãe, sai daí' e, quando me viu na janela, foi atingido", lembrou. Wesley passou por uma sutura na cabeça. 

PMs fizeram operação nesta quarta-feira para combater o tráfico na RocinhaSeverino Silva / Agência O Dia

Pai critica operação policial

"Não sei de onde veio o tiro, se de bandido ou policial. Mas para fazer uma operação numa comunidade a PM deve planejar. Houve tiroteio e meu filho, um menino de 13 anos, acabou ferido. Fui obrigado a vê-lo todo ensanguentado. Fiquei desesperado". O desabafo é de Eduardo Pereira, 36 anos, pai do adolescente Wesley Barbosa de Oliveira, baleado de raspão na cabeça dentro de casa, na Rocinha, no fim da manhã desta quarta-feira, durante tiroteio entre policiais e criminosos. O menino, que havia acabado de levantar do sofá, foi levado pelo pai para o Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea, onde passa por exames. Segundo a secretaria de Saúde, o estado de saúde do jovem é estável. Ele não passará por cirurgia e está em observação na unidade.

Pai do menor Wesley Barbosa%2C de 13 anos%2C baleado de raspão dentro de casa na rocinha%2C Eduardo Pereira critica ação policial na comunidadeSeverino Silva / Agência O Dia

O pai da vítima critica a falta de planejamento durante a operação e diz ainda que pretende mudar de localidade dentro da comunidade. "Minha sobrinha estava indo para o trabalho e PMs mandaram ela voltar para casa. Como pode isso? Somos trabalhadores e temos que ligar para nosso patrão para avisar que não vamos porque moramos em uma comunidade. As ações têm que ser planejadas. Moramos em área de risco, mas somos trabalhadores", disse Eduardo, que é porteiro de um condomínio. "Moro há 36 anos ali. Não quero sair da Rocinha. Mas vou sair dessa localidade e vou para mais perto da rua", completou.