Esqueleto onde deveria haver posto de saúde em São João de Meriti

Moradores de Agostinho Porto reclamam de lixo, fedor e ratos

Por O Dia

Rio - O que era para ser um posto de saúde virou um terreno baldio com direito a um ‘esqueleto’ em construção, no bairro Agostinho Porto, em São João de Meriti. Há mais de um ano, moradores da região são obrigados a conviver com o fedor causado pelo acúmulo de lixo e o medo de contraírem doenças por causa da proliferação de ratos, baratas e mosquitos. Alguns, como é o caso da dona de casa Vanda Santana, de 48 anos, convivem com o drama diário da obra desmoronar e afetar sua residência.

Dona de casa Vanda Santana%2C48 anos%2C com o neto Wagner Pereira%2C10%2C reclama do abandono da obraPaulo Araújo / Agência O Dia

Cercada por tapumes e madeiras, a obra estava prevista para ser iniciada em dezembro de 2013 e ser concluída seis meses depois. O investimento seria um pouco mais de R$ 547 mil, entre recursos do Ministério da Saúde e da prefeitura. A expectativa, segundo a placa da obra erguida no local, era de que fossem gerados 150 empregos, entre os operários da construção e os profissionais de saúde que iriam atuar na unidade. A previsão era de que mais de 18 mil pessoas fossem atendidas no posto de saúde, que segundo os moradores seria especializado em pediatria.

Enquanto só há algumas pilastras e colunas erguidas no espaço, não resta outra alternativa ao militar Ricardo Luís Lima, 53, a não ser procurar atendimento no posto de saúde de Éden, a pouco mais de um quilômetro de onde seria construído a unidade básica de saúde. “Nem sempre funciona também. Já ficou parado por dois anos. É importante termos um posto de saúde aqui para atender os moradores de Agostinho Porto e Vila Rosali. Não pode ficar abandonado, sem ninguém dar satisfação”, frisou.

De acordo com os moradores, três empresas já passaram pela obra. “Elas falam que não têm verba e abandonam”, diz dona Vanda. Porém, segundo a placa da obra e o Diário Oficial do município do dia 23 de dezembro de 2013 a empresa responsável pela construção do posto de saúde é a V. Santos Construção Civil LTDA, aberta um ano antes da previsão de início das obras e com sede em Paracambi. Dos funcionários, apenas um ‘vigia’, que preferiu não se identificar, continua no local. “Tenho a chave. Tomo conta para não virar bagunça”, disse.

Medo de construção desabar

Dona Vanda sofre com o medo de a construção desabar e afetar sua residência, que fica bem ao lado posto de saúde. Os tapumes estão caindo e um barranco está prestes a desmoronar. “Ninguém aparece por aqui. Pode machucar alguém”. Segundo ela, a última movimentação no local ocorreu em abril deste ano, quando “levantaram as paredes e depois foram embora sem dar satisfação”.

Em nota, a prefeitura de São João de Meriti informou que a empresa responsável pela execução da obra teve problemas internos e por isso paralisou a construção da unidade. Segundo o órgão, uma nova licitação será feita até 30 de agosto.

Outro lado: repasse de R$ 40 mil

Ministério da Saúde (MS) disse que repassou verba de R$ 40 mil, referente à primeira parcela do pagamento da construção da Unidade Básica de Saúde de Agostinho Porto. A liberação da segunda e terceira parcelas que totalizariam R$ 400 mil, segundo o órgão, “está condicionada ao cumprimento de todos os critérios previstos em portaria e pactuados com o governo federal, além da postagem da comprovação da construção da unidade no Sistema de Monitoramento de Obras (SIMOB)”. 

De acordo com o ministério, o posto de saúde “encontra-se com parecer favorável para transferência da segunda parcela e aguarda a regularização no sistema, para a efetivação do repasse”. Procurada, a empresa V. Santos Construção Civil Ltda não retornou as ligações nem respondeu aos e-mails.


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