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Exército caça armas furtadas da Aman

Cinco peças do acervo do Museu, localizado na Região Sul Fluminense, ainda estão desaparecidas

Por paulo.gomes

Rio - O Exército empreendeu nesta quarta-feira uma caçada às seis armas históricas furtadas dentro do museu da Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), considerada a maior área de segurança do interior do estado, em Resende, no Sul Fluminense. Ousados, os criminosos desativaram todos os dispositivos de segurança e arrombaram os nichos onde os equipamentos ficavam guardados.

A corporação, com apoio da Polícia Militar, mobilizou 200 homens em Volta Redonda, onde, segundo apontou Inquérito Policial Militar (IPM), estaria parte do material levado pelos ladrões. Os suspeitos seriam quatro soldados presos antes da ação militar ser desencadeada, e dois civis, detidos pela manhã — um deles baleado de raspão na perna. Apenas uma submetralhadora foi recuperada.

Movimentação de policiais militares e soldados da Aman chamou a atenção nesta quarta-feira em Volta RedondaDivulgação / Fernando Pedrosa / Foco Regional

Em nota, a Aman informou que o armamento desviado é antigo e sem poder de fogo, mas é de grande estima para a história do Exército. É composto de um fuzil 7mm, datado de 1925; uma submetralhadora, de 1938; uma submetralhadora M40, sem data precisa; um fuzil A3, de 1903; uma metralhadora ponto 30 M73, de 1916; e um sabre, espadim com brasão e bainha, de 1946.

“Todas as armas são peças de museu e inutilizáveis, mas muito importantes, pois fazem parte da história do Exército”, argumentou o capitão Fredson Nunes, da Aman, um dos comandantes da operação. De acordo com ele, o furto ocorreu no dia 4 de abril.

“Mandados de busca e apreensão, determinados pela Justiça Militar, foram efetuados nas residências dos acusados, onde também houve apreensões de drogas e de armas (não incluídas entre as furtadas na Aman)”, completou a nota.

Informações de que parte do material furtado teria sido levada para a Favela do Muquiço, em Guadalupe, no subúrbio do Rio, não foram confirmadas pelo Exército. A desconfiança se dá por conta do suposto envolvimento de civis presos ontem com quadrilhas daquela comunidade. Os suspeitos negaram o roubo das peças.

Um dos presos nesta quarta, João Carlos de Souza Carvalho, de 21 anos, foi detido no Núcleo Santa Isabel, na periferia de Volta Redonda. O suspeito, mesmo algemado, tentou fugir, chegando a correr sobre o telhado de algumas casas. Ele só se rendeu após levar um tiro de raspão na perna, disparado por um policial militar. Antes, foram necessários seis agentes para imobilizá-lo.

Operação do Exército e PM assustou moradores

A intensa movimentação do comboio do Exército e viaturas da PM assustou moradores dos bairros Vila Americana, Três Poços e Núcleo Santa Isabel, no Jardim Amália II, em Volta Redonda, onde os mandados de busca e apreensão foram cumpridos. Segundo a polícia, um dos soldados presos acusa João Carlos de ter recebido um Fiesta 2003 em troca das armas. Ele nega. De acordo com a polícia, dentro do veículo, localizado ontem, foi encontrada droga. Na casa de um morador vizinho à casa onde o acusado foi preso, foram achados mais entorpecentes. “Há informações de que o suspeito obrigava vizinhos a guardar material ilícito”, disse o comandante do 28º BPM (Volta Redonda), coronel César Augusto.

Com efetivo de 2 mil homens, a Aman é o maior Batalhão do Exército brasileiro, com destaque na formação de oficiais combatentes. Dentre suas atribuições, estão o apoio à instrução e ao serviço, guarda patrimonial, segurança da população, policiamento e mobilização.

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