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Surto entre micos ainda é desconhecido

Moradores não ouviram falar de doença que pode ser transmitida a humanos e acreditam em envenenamento

Por gabriela.mattos

Rio - Alheios aos riscos de contaminação a humanos a um suposto surto de virose em micos que frequentam a Praça Pio XI, no Jardim Botânico poderia causar, pais levaram os filhos para curtir o Dia das Crianças no local. Moradores ainda desconfiavam que alguém tenha envenenado os animais, como ocorreu em outras ocasiões, e desconheciam o parecer sobre a virose do veterinário Jeferson Pires, chefe do Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (Cras) da Estácio de Sá.

Como O DIA mostrou ontem, os micos podem estar sendo vitimados pelo gravíssimo vírus da herpes do tipo simiae, segundo o veterinário. Em apenas 24 horas, seis animais foram mortos e cinco contaminados. Se transmitido pelos macacos, diz ele, pode ser fatal a seres humanos, devido ao risco de causar encefalite (infecção no cérebro). A contaminação se dá por arranhões e mordidas. Por isso, Pires recomenda evitar qualquer tipo de contato com primatas na rua com tremores, dificuldade de coordenação motora ou convulsões.

No Cras%2C da Estácio%2C os animais são examinados%3A em 24h%2C seis morreram e cinco ficaram contaminadosReprodução Facebook

“Se foi envenenamento, o povo está revoltado”, afirma o ambientalista do Greenpeace Nilo D’Avila, que mora no local e já viu um bichinho morrer no seu quintal. Ele afirma que existem dois grupos. Um com 20 e outro com 35 macacos-pregos, que se revezam nas invasões domésticas. “Na passagem do inverno para a primavera, eles vêm muito porque é quando tem menos comida nas florestas”, explica. Já no verão, a abundância de frutas nas árvores torna mais rara a presença dos animais nas casas.

Mas o que querem, afinal, os macaquinhos? “Ontem, eles abriram meu armário e roubaram macarrão”, lembra o radialista Marcos Muller. Entre os objetos furtados, há relatos mais inusitados de moradores: já levaram embora dentadura, vitamina, celular e até camisinha. A jornalista Lísia Palombini não dá comida. Mas nutre afeto por eles, mesmo que já tenham jogado fezes dentro de seu apartamento. “Não me sinto invadida. Fomos nós que invadimos o espaço deles”, diz.

Reportagem do estagiário Caio Sartori

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