Camisa de pastor atacado vira relíquia e faz até ‘cura’

Valdemiro Santiago foi esfaqueado por membro da Igreja Mundial do Poder de Deus no domingo e ficou seis horas no hospital. Ontem, ele retomou a sua pregação

Por thiago.antunes

Rio - A camisa ensanguentada do pastor Valdemiro Santiago tornou-se uma espécie de objeto de culto para a Igreja Mundial do Poder de Deus. Santiago foi esfaqueado durante um culto no domingo. Na volta do pastor a seu programa de TV, nesta terça pela manhã, a camisa foi exibida em vários ângulos e esfregada em uma túnica.

Nessa mesma túnica, os fiéis estão gravando digitais, como parte de uma campanha de "propósito", uma das modalidades de doação aceitas pela Igreja. Em outro vídeo, o pastor anuncia que a camisa já teria realizado curas de fiéis.

Também nesta terça, a Justiça de São Paulo decretou a prisão preventiva de Jonatan Gomes Higino, o ajudante-geral que esfaqueou Santiago. O homem, preso em flagrante, vai aguardar julgamento atrás das grades.

O pastor, de 53 anos, foi atingido nas costas e no pescoço, mas foi liberado ainda no domingo, depois de seis horas no Hospital Sírio e Libanês para onde foi levado e e levou 25 pontos.

O ataque ocorreu por volta das 7h30 em um templo no Brás, na região central de São Paulo, durante a chamada “interposição de mãos”. Higino utilizou um facão e disse aos policiais que cometeu o crime porque se sentiu ameaçado ao ouvir o pastor dizer, no culto, que iriam crucificá-lo.

“Acabando de ouvir um milagre, entrou alguém, não sei quem é, não vi, por trás, e deu uma facada no pescoço, ou uma navalha, não sei. Mas fiquem tranquilos, porque só vai quando Deus quer", disse o religioso, em gravação divulgada nas redes sociais.

Santiago fundou a sua denominação evangélica em 1998, depois de romper com a Igreja Universal. A Igreja Mundial do Poder de Deus tem 4,5 mil templos no Brasil e em outros 23 países, além de dois canais de TV.

O pastor, que na aparição desta terça parecia bem disposto e brincou muito com a plateia, disse perdoar o seu agressor. "Não sei quem é, mas está perdoado e quem mandou também". O pastor Jorge Pinheiro, segundo de Valdemiro, disse à revista Veja que a camisa seria guardada “pela importância do que aconteceu”.

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