PT tenta por panos quentes na reação interna a Joaquim Levy

Dilma Rousseff não deve ir à reunião do Diretório Nacional, programada para aproximar o partido e a presidenta

Por O Dia

Brasília - O clima que antecede a primeira reunião do Diretório Nacional do PT desde a eleição da presidente, no próximo fim de semana, guarda semelhança com aquela ocorrida em dezembro de 2003, quando petistas insatisfeitos com a política macroeconômica adotada no primeiro ano do governo Lula chegaram a sair do partido. Naquela época, fazia parte da equipe do então ministro da Fazenda, Antônio Palocci, o atual indicado para a pasta, Joaquim Levy.

O presidente do PT, Rui Falcão, pretendia fazer do evento um grande encontro de apoio à eleição da presidenta Dilma Rousseff e contava, inclusive com a sua presença, o que não deverá acontecer. Parte do PT reagiu mal à indicação de Levy e também à da senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) para o Ministério da Agricultura.

Representantes da chamada “esquerda do PT” comentam que desta vez “não chegará a haver debandada” do partido, mas há insatisfação com a sinalização dada pelo governo ao convocar novamente o “secretário tucano” para tomar conta do caixa. “Vamos ficar de olho e acompanhar os passos do governo para que as promessas de campanha, de garantia de emprego e de políticas sociais, não sejam abandonadas ao longo do caminho”, diz um parlamentar petista que prefere não se identificar.

O deputado e ex-ministro do Desenvolvimento Agrário de Dilma Afonso Florence (BA), conhecido por suas posições radicais, diz que desta vez a situação é diferente. “Existe uma situação concreta, com um ambiente econômico desfavorável que exige a adoção momentânea do rigor no tripé macroeconômico. Não significa que será uma escolha permanente”, diz o deputado, apontando que as promessas de campanha serão mantidas.

“É obvio que, depois desse ajuste na questão fiscal, o governo retomará com força os investimentos sociais. Essa é a marca do governo petista e jamais deixará de ser. As conquistas trabalhistas serão mantidas”, diz Florence, ao lembrar que a estratégia faz parte da “política anticíclica adotada pelo novo desenvolvimentismo”.

Indicado a Palocci por Pedro Malan, seu antecessor na Fazenda, e hoje superintendente da Bradesco Asset Management, Levy compunha a equipe econômica do governo Fernando Henrique Cardoso. Foi secretário-adjunto de Política Econômica de Malan e economista-chefe do ministro do Planejamento, Martus Tavares.

No Congresso, os representantes do governo tratam de “colocar água na fervura” daqueles que se manifestam contrários às indicações de Levy e Kátia Abreu. “Que não morram de véspera os pessimistas, porque o senhor Joaquim Levy nem chegou ainda à Fazenda. E, quando chegar, será, sem dúvida, guardião do modelo de desenvolvimento para o Brasil que, já largamente experimentado, mostrou que dá certo, que é exitoso e que é reconhecido em todo o mundo como um exemplo de redução da pobreza e da desigualdade social”, disse o líder do partido no Senado Humberto Costa em discurso. Logo em seguida, o senador comentou a jornalistas que as reações negativas às indicações “não passam de fritura”.

“A presidenta Dilma é absolutamente responsável com o projeto de governo que desenvolvemos para o Brasil. Ela tem compromisso com a estabilidade econômica do país e com o modelo de desenvolvimento inclusivo que colocamos em curso”, afirmou o líder do PT. A previsão é que Dilma só anuncie os novos nomes para a equipe econômica após a aprovação do projeto que altera a meta de superávit primário na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) deste ano. 

Defensor de Levy, o senador Jorge Viana (PT-AC), disse que o candidato à Fazenda tem “um currículo dos mais invejáveis do país”. Ele ressaltou que a alteração da LDO já foi feita outras vezes nos últimos sete anos. “No ano passado, tiramos da LDO a obrigação para que estados e municípios cumprissem a meta. Ninguém colocou isto em debate.”

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