Sambistas se reúnem em show para cantar e contar histórias dos 100 anos do ritmo

'O Século do Samba’ está em cartaz até domingo no CCBB

Por O Dia

Rio - Cem anos de samba não são cem dias. E é uma cifra bastante rica, que não se esgota em si própria e inclui todo um histórico, vários matizes, estilos e vivências. “Os cem anos são a comemoração da gravação de ‘Pelo Telefone’ (de Donga e Mauro de Almeida) em 1916, mas já se fazia e gravava samba até antes disso. O samba urbano carioca vem desde o século 19”, historia o pesquisador e músico Luis Filipe de Lima, diretor musical e curador do projeto ‘O Século do Samba’, que chega hoje ao Centro Cultural Banco do Brasil carioca (onde fica até domingo) com uma série de shows históricos que já passaram por Brasília, São Paulo e Belo Horizonte. As apresentações são de Monarco e Nei Lopes (‘Terreiro e Carnaval’, hoje, com sambas próprios e clássicos de Portela e Salgueiro), a dupla paulistana Os Prettos e o carioca João Martins (amanhã, representando a nova geração no show ‘Samba Novo’), Jards Macalé e Pedro Luís reverenciando Moreira da Silva (sábado, com ‘Samba de Breque e Outras Bossas’) e o partido-alto de Leci Brandão e Tantinho da Mangueira (domingo, com ‘Partido-alto, Samba de Fato’). “A série celebra esse lado multifacetado do samba, dos diversos pontos do estilo”, conta Luis, preparando-se para lançar no segundo semestre o livro ‘O Centenário do Samba’, ao lado do jornalista Hugo Sukman (Ed. Sonora), aproveitando sua experiência e vivência no estilo musical. 

Monarco e Nei Lopes fazem show no CCBBDivulgação

Orgulhosíssimo por abrir a série de shows ao lado de Nei Lopes, Monarco acredita que as apresentações vão “ficar na memória do povo. Só tenho a agradecer, o samba merece o que estão fazendo por ele”, conta o veterano sambista. Luis Filipe conta que as apresentações misturam boa música e grandes histórias.

“Na abertura, o Monarco conta passagens dele na Portela e o Nei celebra a reunião dele com o Salgueiro. Penso inclusive em produzir um disco do Nei cantando sambas de terreiro do Salgueiro. Ele estava afastado da escola desde os anos 80”, recorda Luis, lembrando que há outras histórias em outras apresentações. “A Leci foi a primeira mulher a integrar a ala de compositores da Mangueira e o Tantinho foi um veterano que ficou ao lado dela. No show de Jards Macalé com Pedro Luís, o Jards recorda o tempo em que deu shows ao lado do Moreira da Silva. Ele chegou a ser preso na época e o Moreira foi tirá-lo da cadeia”, brinca Luis, recordando. Já Os Prettos, vindos do Quinteto em Branco e Preto (grupo paulistano de samba), apresentam parceria com João Martins, ‘Centenário do Samba’, encomendada por Luis Filipe. “Foi feita por whatsapp. Só depois se conheceram pessoalmente”, brinca.

Tantinho e Leci também se apresentam no espetáculo 'O Século do Samba'Divulgação

Acompanhando os shows, Luis (violão 7 cordas), Dirceu Leite (sopros), Alceu Maia, (cavaquinho), Thiago da Serrinha (percussão), Cláudio Brito (percussão), Quininho da Serrinha (percussão) e menino Pedrinho da Serrinha (percussão), filho de Quininho, de nove anos. “E ele é o mais focado de todos nós. Quem o vê tocando fica de queixo caído!”, adianta. 

Serviço

ONDE: Centro Cultural Banco do Brasil — Teatro II. Rua Primeiro de Março 66, Centro (3808-2020). De hoje a domingo, às 19h30. R$ 10. Livre.

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