Thiago Soares estrela ‘Roots’ no Teatro João Caetano, em curta temporada

Com 21 anos de carreira, bailarino relembra sua vida em cena

Por O Dia

Rio - Ele é primeiro-bailarino do Royal Ballet de Londres, onde mora há 16 anos. Nasceu em São Gonçalo, foi criado em Vila Isabel, e já dançou até para a rainha da Inglaterra. Aos 35 anos, e 21 de carreira, o bailarino Thiago Soares, não imaginava ir tão longe, mas sabia que era possível. “Quando comecei, a maior dificuldade era ter recursos financeiros para investir. Não tinha dinheiro para ir para o ballet, não tinha dinheiro para uma alimentação correta, como exige a profissão”, conta.

Aos 35 anos%2C e 21 de carreira%2C Thiago retorna às suas origens na dança%2C e sonha em popularizar o ballet Divulgação

Em cartaz com o espetáculo ‘Roots’, no Teatro João Caetano, até 22 de janeiro, ao lado de Danilo D’Alma, bailarino e coreógrafo reconhecido no cenário das danças de rua do Rio, Thiago sente orgulho da sua origem e trajetória. “O espetáculo veio em um momento de transição da minha vida, e eu precisava de um veículo para lembrar de onde eu venho, quem eu era”, revela o bailarino, que idealizou o projeto junto com o coreógrafo Ugo Alexandre, o responsável por introduzi-lo no mundo da dança:

“Precisava abraçar uma causa que falasse do meu passado. Então ‘Roots’ veio pra me dizer: ‘Você veio daqui. Essas são as suas raízes”, conta.

Em cena, ele reencontra o Thiago do ‘passado’, que deu seus primeiros passos através da dança urbana.

“Meu acesso à dança foi através do street dance (dança de rua, que inclui elementos de hip hop), com um grupo do Ugo Alexandre. Depois fui levado por ele para uma academia de ballet, para aprimorar meus movimentos. E não saí mais”, lembra o carioca, que começou no ballet em uma idade atípica, aos 14 anos: “A maior dificuldade era chegar ao nível de um bailarino naquela idade, de formação. O início normalmente é numa faixa etária mais nova. Mas eu sabia o que desejava”.

Único bailarino na família, foi em frente, superando as dificuldades do caminho —como o preconceito. “Meu pai queria saber se eu ia conseguir viver disso. Na escola eu era zoado. A criança vai zoar, é o diferente, é o bailarino. Mas isso nunca me afetou”. Thiago não se lamenta, e acredita nas mudanças: “O preconceito sempre existiu e sempre vai existir, mas é um monstro que sinto que a gente está vencendo”.

Considerado pela crítica um dos melhores dançarinos de sua geração, ele acha importante popularizar a dança clássica. “Meu desejo é também dar acesso, chegar nesses lugares do Brasil (ele pretende rodar o país com ‘Roots’), dizer que dá para viver da dança, dá para fazer uma carreira internacional. É possível. Esse sonho de um monte de jovens que querem dançar no Bolshoi, por exemplo,digo que é possível. Essa é uma mensagem me preocupo em passar”, confessa, e mais uma vez,recorda a própria experiência: “A dança para mim, é uma expressão artística, e também foi um veículo de sobrevivência. Era o lugar aonde eu era acolhido. Eu era importante na dança”.

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