Domingos Montagner acredita que um grande amor pode ter uma segunda chance

Ator diz que é possível perdoar uma mentira por amor e acha bizarro um marido arranjar namorado para a mulher

Por O Dia

Rio - ‘É possível perdoar uma mentira, mas não é obrigatório”. É com essa dose de humanidade e leveza que Domingos Montagner opina sobre a atitude de Santo, seu personagem em ‘Velho Chico’. “É compreensível que ele tenha perdoado a omissão de Luzia (Lucy Alves) em relação ao filho dele com Tereza (Camila Pitanga). Mas isso varia muito da relação que você estabelece com as pessoas”, diz.

Ator que está no ar como Santo em 'Velho Chico' faz um amante e um homem que bate na mulher nos cinemasDivulgação

O protagonista da novela das 21h vem coroar uma fase próspera para o ator. No ar como Santo dos Anjos, um sobrevivente da seca no sertão, que cresceu defendendo ideais com valentia, Montagner vê identificação no personagem, que já declarou lembrar seu pai. “Tem essa coisa da generosidade, honestidade. Todos os papéis estão dentro de nós. É uma questão de acessar”.

A novela termina em outubro e, até lá, Santo ainda tem muitas tramas para se aventurar, e a principal é a batalha para viver sua história de amor com Tereza (Camila Pitanga). Casado com a produtora Luciana Lima há 15 anos, o ator acredita que um grande amor pode ter uma segunda chance.

“Nunca vivi isso, mas é possível. Quando estávamos nos preparando para a novela, vimos casos assim. Gente que casou, foi feliz, mas em algum momento, reencontrou uma paixão do passado e foi viver isso”, conta Domingos, que conheceu Luciana no teatro e viu sua família nascer entre os palcos e picadeiros.

“Faço circo há quase 30 anos. Conheci minha esposa trabalhando. Temos uma companhia de teatro, a LaMínima, e o circo Zanni”, conta o pai de Leo, de 12 anos, Antonio, de 9, e Dante, 5.

Domingos e Camila Pitanga, que interpreta seu par romântico na novela 'Velho Chico'Divulgação

VIDA E ARTE

Ele admite ser difícil separar a vida da arte. “Já vivi em circo, que é o lugar que representa a falta de fronteiras na vida cotidiana com a arte. Nossa profissão é muito especial, relacionada com a própria vida. Não vejo muito limite como criador. Observo para criar o tempo todo”.

Este ano tem sido produtivo para o ator de 54 anos. Além da novela, ele está em cartaz com o longa ‘Vidas Partidas’, e faz parte do elenco de ‘Um Namorado para a Minha Mulher’, que estreia hoje. “Me sinto realizado quando estou trabalhando. O palco e o set são a minha casa”, afirma.

Em ‘Um Namorado para Minha Mulher’, Domingos faz Corvo, o ‘namorado’ em questão no título, que é contratado pelo marido Chico, vivido por Caco Ciocler, para forçar a esposa, Nena (ingrid Guimarães), a pedir o divórcio. “Acho bizarro a história de arranjar um homem para a mulher”, diverte-se o ator, que acrescenta: “Mas é para ser bizarro. Acho o filme uma fábula maravilhosa. Uma metáfora do que precisa acontecer: o casal não pode deixar ‘a água parada’. O erro nunca está num só”.

Do solar e sedutor Corvo para o sombrio Raul, que bate na mulher em ‘Vidas Partidas’, Montagner percorreu um caminho árido na construção. Ele confessa ter sido difícil exercer uma violência que não possui como hábito. “O personagem tem uma relação passional, vai se tornando um agressor, mas não se vê assim. É diferente de tudo que fiz até hoje”, conta.

VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

A história de Graça e Raul, em cartaz nos cinemas, fala da violência doméstica, mas sem estereótipos, mostrando maior complexidade. “Os personagens não são um casal disfuncional. O Raul é um professor universitário. Um cara que você não consegue muito identificar como vilão. Criei um personagem meio dúbio. Apaixonado, violento, arrependido. Ele não se vê agressivo, como muitos agressores”, revela.

Montagner admite que foi um trabalho que exigiu um outro lado dele como ator. “Tive que procurar esse temperamento, essa atitude. É exaustivo, porque procuramos dentro. Temos tudo dentro. Queremos ser melhores, mas a sombra está ali”, garante.

No total, são seis filmes com previsão de lançamento entre este ano e o próximo. “Comecei na TV em 2011, fazendo ‘Cordel Encantado’. Fazer televisão me ajudou a fazer cinema. É um set. Só é outra estrutura”.

Mesmo sendo cria dos palcos, ele se declara apaixonado pela sétima arte e torce para que a recente relação seja duradoura: “Eu espero que o cinema tenha se apaixonado por mim. Amo cinema. Fui sendo chamado e filmando, coincidiu deles serem lançados no mesmo período. Estou feliz”.

Não reclamar da vida é o lema do ator. Bem-sucedido na profissão que escolheu, bem casado, pai de três meninos, Montagner é bem-humorado e procura ver a vida de forma positiva. “Não é por conta do circo, embora essa energia fique misturada. Mesmo que não esteja de bom humor, procuro sempre estar com a energia positiva”, diz ele, acrescentando sobre sua visão de mundo: “É importante reconhecer que muita gente tem vida pior que a nossa. Sou grato por todas as coisas que conquistei. E amo o que faço. Isso faz diferença”.