O que o presidente terá pela frente

Conter inflação e recuperar investimentos são as metas

Por O Dia

Rio - Quando terminar hoje a contagem de votos para o cargo mais importante do país, os rumos da política econômica começarão a ganhar novos contornos. Num cenário eleitoral que pode ter imprevistos e surpresas, um panorama, no entanto, é certo: quem sair vitorioso nas urnas terá como maior desafio resgatar o crescimento da economia, recuperar a taxa de investimento e conter a inflação, que deve fechar o ano em um patamar cujo teto (6,5%) está previsto como meta. O desafio é que a solução venha sem mexer muito no bolso dos brasileiros e sem elevar o desemprego, que teve em agosto sua maior alta desde julho de 2013.

Tratar esse cenário como prioridade não é considerar áreas como Saúde, Habitação e Educação menos relevantes do que a taxa básica de juros, por exemplo. A questão é que a economia estagnada tem consequências em cadeia que se refletem a curto prazo — como o endividamento das famílias —, no aumento da desigualdade social do que problemas em outros indicadores de qualidade de vida, como abastecimento e saneamento.

RESTABELECER A CONFIANÇA

Apesar dos índices deixarem a desejar em alguns setores, o governo tem se mostrado otimista. Em parte, porque credita à crise internacional a situação econômica do país. E também porque alguns números têm avançado, como os da produção industrial e do varejo. No acumulado dos nove primeiros meses do ano, o Brasil registrou recorde em valor nas exportações de soja, carne bovina, celulose, couros e peles, minério de cobre, medicamentos e obras de granito. Mas, por outro lado, em setembro, a balança comercial teve seu pior resultado desde 1998.

O professor do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec-MG) e doutor em Economia Reginaldo Nogueira defende algumas ‘atuações imediatas’, como estabelecer metas reais para a inflação. “Recuperar o investimento privado e reduzir o intervencionismo. Outro ponto é restabelecer a confiança na política fiscal. Isso gera uma pressão grande por crescimento de impostos no próximo ano e gera incertezas para o empresariado investir ”, defendeu. Na opinião do economista Marco Aurélio Cabral, o governo precisa redefinir o conceito de empresa brasileira de capital nacional, fortalecer Petrobras e Eletrobras, com a chamada de capital pelas empresas, e ampliar as frentes de investimento em Saúde, Educação, Transporte. “Os governadores e prefeitos têm que poder investir nesses setores, mas a Lei de Responsabilidade Fiscal impede que se faça isso.”

Para o cientista político e professor do Ibmec Rio Lier Pires Ferreira, o primeiro grande desafio é resgatar a credibilidade da política macroeconômica, que hoje tem mais intervenção do governo do que em gestões anteriores. “Em 2015, esse resgate é um momento fundamental, para que os mercados externos e internos acreditem que o Brasil estará retomando a trajetória de política macroeconômica que vem desde os governos Fernando Henrique Cardoso e Lula, mantendo o Brasil numa situação estável do ponto de vista das relações internacionais”.

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