Sem ação contra o racismo

A menos de três anos da Copa do Mundo, constantes casos de preconceito racial são problema sem solução na Rússia

Por O Dia

Rússia - Faltando um pouco menos de três anos para a Copa do Mundo de 2018, um problema que não deveria existir no século 21 bate na porta da Rússia, que sediará a competição pela primeira vez. No fim de semana, o meia-atacante Hulk, que joga no Zenit, saiu em defesa do ganês Emmanuel Frimpong, que atua no UFA e foi vítima de racismo. Ele reagiu aos xingamentos e foi expulso.

“Isso acontece em quase toda partida na Rússia, mas o mundo não ouve porque eles tentam silenciar. Vejo isso acontecer toda hora. Costumava ficar muito nervoso com isso, mas agora eu só mando um beijo para os torcedores e tento não ficar com raiva”, disse Hulk.

Casos de racismo na Rússia são cada vez mais comunsReuters

O caso não é o primeiro no país e está longe de ser o último. Daniel Carvalho, que jogou quase sete anos na Rússia, não negou os problemas.“Existiu e existe. Sabemos que o Zenit não aceitava jogadores negros. Não sei se está aceitando agora. O Vagner Love quando chegou ao CSKA teve muitos problemas com isso. A própria torcida o vaiava. Ele respondeu em campo e virou ídolo. Já aconteceu de um jogador negro deixar o Lokomotiv e ir para a Inglaterra e a própria torcida agradecer a saída”, lembra o meia, hoje no Botafogo.

Quem espera grandes medidas da Fifa não deve se animar. Após contato da reportagem do DIA, a entidade confirmou que não tomará medidas excepcionais sobre o assunto.

“A Fifa tem uma longa tradição e uma posição clara contra o racismo e a discriminação. A força-tarefa contra o racismo foi fundada em 2013. A Fifa reconhece sua responsabilidade em liderar o caminho para abolir todas as formas de discriminação no futebol. O artigo 3 do estatuto estabelece: ‘Qualquer tipo de discriminação contra um país, pessoa ou grupo de pessoas por motivos de raça, cor da pele, etnia, nacionalidade ou origem, sexo, língua, religião, opinião política ou de qualquer outra opinião social, riqueza, nascimento ou qualquer outra condição, orientação sexual ou qualquer outra razão é estritamente proibida e punível com a suspensão ou expulsão’”, destaca o texto.

O zagueiro João Carlos, que atua no Spartak e jogou com Roberto Carlos no Anzhi, à época em que mostraram uma banana ao ex-lateral, acredita que o problema é regionalizado: “Aconteceu com o Roberto Carlos duas vezes e algumas outras. Acho que tem mais a ver com o torcedor querer aparecer. Em São Petersburgo, tem mais. Em Moscou, eu nunca vi. Aqui, eles punem só com a perda do mando de campo.”

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