Botafogo suspeita que ex-presidente do Alvinegro favoreceu empresa

Interdição do Nilton Santos em 2013 e 2014 faz com que o clube carioca tivesse que disputar as suas partidas do Brasileirão no Maracanã

Por O Dia

Rio - Ex-presidente do Botafogo, Maurício Assumpção causa polêmica até os dias de hoje no clube. Nesta terça-feira, o a atual diretoria do Glorioso lançou uma nota oficial em que abre a suspeita de que o ex-mandatário favoreceu a Oderbrecht com a interdição do estádio Nilton Santos em 2013 e 2014. A empresa participa do consórcio que administra o Maracanã.

Maurício Assumpção presidiu o Botafogo de 2009 a 2014André Mourão

Na ocasião, o Nilton Santos acabou sendo interditado para fazer obras na cobertura. O Glorioso teve então que utilizar o Maracanã no Brasileiro. Foram gastos R$ 100 milhões. No ano passado, um estudo feito pela DFA Engenharia e pela Controlatto, e divulgado pela rádio CBN concluiu que foi desnecessário o dinheiro gasto no estádio.

Maurício Assumpção foi presidente do clube de 2009 até 2014. No mandato dele, o Botafogo voltou a disputar a Libertadores depois de 18 anos, fez a contratação de Seedorf, ganhou dois títulos do Estadual, mas terminou de forma melancólica com um rebaixamento para a Série B.

Confira a nota oficial do Botafogo:

"O Botafogo de Futebol e Regatas, em virtude de apurações internas para verificar a regularidade, a legalidade e a ética de atos realizados pela gestão anterior do clube, vem informar que apresentou uma notícia de crime perante a 5ª Delegacia de Polícia, contra Maurício Assumpção Souza Junior, Sérgio Landau, Benedito Barbosa da Silva Junior (Diretor Presidente da Odebrecht), Leandro Andrade Azevedo (Diretor da Odebrecht) e  João Borba Filho (Presidente do Complexo Maracanã Entretenimento S.A.).

O pedido de instauração de inquérito policial para averiguação dos fatos decorre de 2 contratos de mútuo assinados pelo ex presidente do Botafogo, Sr. Maurício Assumpção Souza Junior com a Odebrecht, em 2013 e 2014, no valor total histórico de R$ 20.000.000,00, em condições suspeitas e com graves prejuízos ao Clube.

A notícia de crime subscrita pelo advogado contratado pelo Botafogo, Dr. Walmer Jorge Machado, relatou à autoridade policial o seguinte: “na verdade, Dr. Delegado, a cronologia dos fatos sugere uma possível manobra da Odebrecht para  justificar a interdição do Estádio Nilton Santos, pois, segundo a matéria veiculada na Folha de São Paulo dia 02.02.2016, a Racional Engenharia, responsável por projetar e realizar a maior parte da obra do Estádio Nilton Santos, teria feito um minucioso estudo técnico afirmando que o estádio não deveria ter sido fechado. Válido lembrar que a interdição do Nilton Santos foi baseada em parecer técnico da Odebrecht, sendo dificílimo não imaginar que a finalidade consistiu em beneficiar o Complexo Maracanã Entretenimento S.A., empresa integrante do Consórcio formado pela Odebrecht para administrar e operar o Estádio Maracanã.”

Existem fortes indícios que o Botafogo de Futebol e Regatas, por intermédio dos referidos contratos de mútuo, tenha sido vítima de atividades suspeitas, as quais merecem apuração da autoridade competente que, diante da consistência do que lhe foi apresentado, já determinou a abertura do inquérito policial e a providência para a oitiva dos envolvidos.

A atual direção do Botafogo de Futebol e Regatas tem a obrigação e o dever de zelar pelo respeito e pela preservação do patrimônio do clube.

Botafogo de Futebol e Regatas
Carlos Eduardo Pereira
Presidente"