Governo precisa atuar em várias frentes contra 'máfia das próteses', diz Chioro

Segundo ministro, não deve caber ao médico indicar produtor, distribuidor e a marca do dispositivo a ser usado pelo paciente

Por O Dia

Brasília - Em audiência pública da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Próteses do Senado nesta terça-feira, o ministro da Saúde, Arthur Chioro, disse que o governo precisa atuar em várias frentes contra a chamada “máfia das próteses”. Segundo o ministro, não deve caber ao médico, por exemplo, indicar o produtor, o distribuidor e a marca do dispositivo a ser usado pelo paciente.

Governo precisa atuar em várias frentes contra 'máfia das próteses', diz ministro Arthur ChioroElza Fiúza / Agencia Brasil

“[Os pontos críticos do setor são] o registro [dos dispositivos], a nomenclatura, a padronização, a necessidade de estabelecer uma regulação de preços que possa trazer esses preços de fato para uma coisa justa, inclusive eliminando um conjunto de vantagens que vão sendo atribuídas a uma série de empresas, profissionais, instituições, prestadores de saúde que são indevidas e que elevam o preço do produto de maneira abusiva”, explicou o ministro, que na apresentação também citou a atual fragilidade dos protocolos de uso dos dispositivos médicos.

Durante a apresentação, Chioro apresentou estudo apontando que uma prótese de joelho sai do fabricante ao custo de R$2.096 e chega ao consumidor final por mais de R$18 mil. Só a comissão do médico apontada pelo estudo, valor recebido irregularmente, custa R$3.500.

O ministro contou que a falta de padronização dos produtos ocasiona o mesmo tipo de fraudes em vários países. No Brasil, com o registro de um dispositivo médico na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a indústria pode comercializar vários modelos do produto. “Um único produto registrado pode ter mais de 130 modelos e, no mercado, eles têm nomes diferentes”, diz o ministro.

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