Dilma Rousseff: 'Jamais cogito renunciar'

Ela se recusou a responder se o governo teria força para barrar um possível processo de impeachment

Por O Dia

Brasília - Em entrevista ontem à noite ao telejornal ‘SBT Brasil’, a presidenta Dilma Rousseff disse que não pretende renunciar ao cargo e se recusou a responder se o governo teria força para barrar um possível processo de impeachment.

Dilma concedeu entrevista ao SBTAntônio Cruz/Agência Brasil

“Jamais cogito renunciar”, garantiu Dilma, que criticou a tentativa de tirarem do poder uma “representante legitimamente eleita pelo voto popular”. “Temos que ser capazes de conviver com as diferenças e situações difíceis. Não somos mais uma democracia infantilizada. Manifestações são normais mas temos que lutar contra a intolerância. Ela divide o país e transforma manifestações em processos que levam à violência.”

Na entrevista ao jornalista Kennedy Alencar, a presidenta admitiu que poderia ter investido mais em infraestrutura para levantar a economia. Negou, no entanto, ter cometido “estelionato eleitoral” por não ter cumprido promessas da campanha de 2014. “Acredito que deveria ter me esforçado para que o Brasil não tivesse tantas amarras pra investir”, disse Dilma.

Marcha das Margaridas vira ato em defesa do governo

A ‘Marcha das Margaridas’ se transformou ontem em um ato a favor da presidenta Dilma Rousseff e contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Cerca de 30 mil mulheres agricultoras marcharam pela Esplanada dos Ministérios entoando palavras de ordem: “Fora, Cunha!”.

“Marcha, mulher, marcha / molha os pés mas não faz a unha / viemos de todo o Brasil / pedir a cabeça do Cunha”, cantava uma manifestante do alto do carro de som. A marcha foi organizada pela Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura). O ato recebeu patrocínio de R$ 855 mil de empresas estatais:a Caixa Econômica Federal (CEF) entrou com R$ 400 mil, mesmo valor que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social BNDES). A Itaipu Binacional pagou menos: R$ 55 mil.

No fim da tarde, Dilma participou do encerramento da marcha. Em seu discurso, Dilma Rousseff afirmou que não permitirá “retrocessos” no país, e recorreu a uma canção do artista Lenine para resumir o atual cenário de crise política. “Nos maus tempos da lida eu envergo, mas não quebro”, disse, diante de milhares de mulheres. Recebida pela plateia aos gritos de “Não vai ter golpe” e “Olê olê olá, Dilma”, a presidenta fez o discurso no centro de uma gigante margarida, instalada no campo do estádio Mané Garrincha, em Brasília.

“Juntas, nós margaridas, que geramos a vida e a defendemos, não permitiremos, repito, que ocorra qualquer retrocesso nas conquistas sociais e democráticas do nosso país”, afirmou a presidenta.

Duas participantes da marcha morreram enquanto participavam do evento. As mortes tiveram causas naturais, segundo participantes da manifestação. As vítimas são Maria Pureza, do Sergipe, e Maria Alzemira, do Piauí.

Ao participar do encerramento da marcha, Dilma anunciou medidas, como criação de patrulhas rurais Maria da HPenha.

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