Metade dos brasileiros tem mania; saiba até que ponto esse hábito é saudável

A maioria se relaciona à arrumação de objetos

Por O Dia

Rio - Alinhar todos os objetos com precisão milimétrica (e desejar punir severamente quem alterar a ordem); lavar as mãos a cada mínima interação social, e checar (e rechecar) se portas e janelas estão fechadas. Se você tem um ou muitos destes hábitos, não há motivo para se achar um maníaco solitário no mundo dos ‘normais’. Levantamento da PUC do Rio Grande do Sul com 15.490 pessoas de todo o país revelou que 46% dos entrevistados têm alguma ‘mania’.

De acordo com a pesquisa, os comportamentos mais comuns são os relacionados à arrumação: 37,6% das pessoas se sentem chateadas quando outros mexem em suas coisas e 32,4%, quando seus objetos pessoais não estão organizados corretamente. Há também casos de acumuladores (31,7%) e de colecionadores (13%).

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Os hábitos, ainda que repetidos diariamente, podem não indicar diagnóstico de Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC). Segundo Marcelo Allevato, psiquiatra e coordenador do departamento de psicofarmacologia da Associação Psiquiátrica do Estado do Rio, para ser considerado transtorno é preciso haver algum prejuízo na vida da pessoa por conta dos hábitos.

“Perder muito tempo com os hábitos, deixar de fazer atividades ou se prejudicar gravemente no trabalho são sinais de que pode ser patológico”, diz, acrescentando que, na psiquiatria, as manias são chamadas de obsessões.

Ele explica que algumas obsessões têm explicação baseada no comportamento dos nossos ancestrais. Por exemplo, o excesso de higiene pode ser um ‘resquício’ de uma época em que não havia antibióticos e a contaminação significava a morte. O mesmo ocorre com a organização. “Provavelmente, dentro de um ambiente arrumado, se defender de alguma ameaça era mas fácil”.

Coordenador do estudo e diretor do site Código da Mente, o neurocientista Diogo Lara lembra que, em alguns casos, as manias podem causar o estremecimento da relação com parentes e parceiros. “Às vezes, a mania é um incômodo para quem está ao lado. Nessas situações, o ideal também é procurar o psicólogo”.

A vida organizada em detalhes

Combinar cores e tamanhos faz parte da rotina da pedagoga Bárbara Ramirez, 38 anos. O armário é organizado de acordo com a tonalidade das roupas, em degradê. Ela conta que, na hora de dormir, a camisola precisa combinar com o lençol. A lingerie que usa no dia a dia também deve ter a mesma cor e o shampoo nunca pode ser diferente do condicionador.

“Abrir o armário e ver que está bagunçado e que as roupas não estão na ordem de cor gera um desconforto bem grande. Me tira o sono e não é frescura”, conta.

As manias não ficam apenas no quarto, mas se estendem até a cozinha. Ao arrumar a mesa, os pratos precisam ser todos iguais. Na hora da refeição, Bárbara conta que nunca mistura feijão com alimentos como purê de batatas ou maionese. “O meu prato é sempre bem dividido. Não coloco comida em cima da outra”.

Ainda segundo a pedagoga, o segundo filho só usava chupetas combinando com a roupa. Ela revela ainda que fica incomodada quando o marido não combina a roupa. “Minha filha está começando a ficar com a mesma mania de combinar tudo, porque me vê fazendo isso”.

Ela conta que não tem o hábito de lavar as mãos diversas vezes ao dia, mas gosta de ter um álcool em gel na mão para usar quando tem atividades na rua ou quando aperta a mão de uma pessoa desconhecida.
Já a advogada Maria Izabel Alves do Amaral, 51, gosta de limpar e organizar os objetos. Fumante, ela conta que nunca deixa o cinzeiro sujo e que costuma tomar banho e escovar os dentes antes de jantar. “Eu levo minhas manias para a casa dos amigos também. Fico feliz se alguém me convidar para limpar o quintal ou organizar a casa”.

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