Juliana Brizola: Educação como base

Este ano marca uma década da morte do meu saudoso avô, o ex-governador Leonel de Moura Brizola

Por O Dia

Rio - Este ano marca uma década da morte do meu saudoso avô, o ex-governador Leonel de Moura Brizola, e no Carnaval comemoramos 30 anos da inauguração da Passarela Professor Darcy Ribeiro, projetada por Oscar Niemeyer, implantada no seu primeiro governo fluminense. O projeto original visava a oferecer ao Rio um equipamento urbano permanente para exibição dos desfiles de Carnaval, resultando na economia de recursos públicos, e a abrigar escolas de tempo integral e creche — afinal, com a coerência que marcou sua trajetória política, a Educação foi o tema e a grande paixão de sua vida.

Se vivo fosse em 2014, Brizola comemoraria 92 anos e não teria motivo para festejar. Afinal, o Brasil é o oitavo país com mais adultos analfabetos, segundo dados da Unesco. Hoje, são 13,2 milhões de analfabetos com 15 anos ou mais, segundo o Pnad.

O grande legado deixado por Brizola foi pregar a Educação como base de governo. Ao assumir como governador do Rio Grande do Sul, em 1958, criou o maior plano educacional da América Latina, o ‘Nenhuma Criança Sem Escola no RS’, que multiplicou as salas de aula e implantou rede de ensino primário e médio que atingiu os municípios mais distantes, inclusive no Pampa, de baixa densidade populacional, inaugurando 5.902 escolas primárias, 278 técnicas e 131 ginásios, colégios e escolas, iniciando sua obstinada cruzada pela Educação pública de qualidade.

Eu me recordo de sempre ouvi-lo dizer: “Minha neta, a Educação é o único caminho para emancipar o homem. Desenvolvimento sem Educação é criação de riquezas apenas para alguns privilegiados.” E é por isso que gosto de visitar o Rio, onde morei por 18 anos, para ver as marcas de meu avô por toda a Cidade Maravilhosa: a Linha Vermelha, Copacabana, bairro onde sempre morou, a Passarela do Samba e os Cieps.

Se o sonho de Brizola de que todas as crianças brasileiras tivessem acesso a Educação de tempo integral e de qualidade houvesse se tornado realidade, com certeza hoje o país estaria melhor, com menor índice de violência, menos jovens nos presídios e mais crianças nos bancos escolares. Inspirando-me em um verso de uma das canções de Paulinho da Viola, que diz : “foi um rio que passou em minha vida”, na de Brizola foram dois, o de Janeiro e o Grande do Sul, onde tudo começou. Salve Brizola!

Advogada e deputada estadual pelo PDT/RS

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