Voluntários em nome da vida

Grupo presta apoio emocional a um número cada vez maior de jovens que cogitam suicídio

Por O Dia

Rio - Por trás do encantado mundo de felicidade e conquistas chamado Facebook, está uma geração de jovens e adolescentes que vem engrossando as estatísticas de suicídio no país. Segundo o Centro de Valorização da Vida (CVV), entidade que presta, há 51 anos, apoio emocional, desde a popularização da Internet, nos anos 90, aumentou 30% o número de jovens que recorreram à prática como única forma para dar ponto final no próprio sofrimento. O suicídio é a terceira causa de morte de jovens.

“Nas redes sociais, existe pressão para ser feliz o tempo todo”, diz o administrador João Alexandre Gomes, de 39 anos, oito deles dedicado ao voluntariado do CVV de São Gonçalo. A mudança no perfil das vítimas levou a entidade a usar novos canais de comunicação para interagir com esse público. No lugar das cartas e telefone (através do número 141), entraram o Skype, chat e e-mail, os meios preferidos por 70% dos jovens que buscam ajuda.

Voluntários do CVV%2C da esquerda para a direita%3A José Luiz Morais%2C João Alexandre%2C Patricia Fernanda%2C Ernane Carvalho e Nazare SalesPaulo Alvadia / Agência O Dia

“Eles têm muita dificuldade de verbalizar o que estão sentindo. Mas conseguem se expressar nos bate-papos pela internet”, observa Alexandre.

O anonimato é garantido. Muitos sofrem bullying virtual. “Eles não têm maturidade para lidar com as críticas na rede”, diz Alexandre, que é um dos 30 voluntários. Para dar conta da procura, eles precisam dobrar o número. “Todo mundo fala muito. E poucos param para ouvir. Muitas das vezes, a pessoa não quer conselho. Só quer ser ouvida”, conta Alexandre.

Terapia e medicamentos

O apoio emocional prestado por grupos de ajuda como o CVV precisa ser acompanhado por tratamentos terapêuticos e medicação, por se tratar de um transtorno mental, de acordo com a psicanalista Marta Relvas. “O apoio é importante, mas dependendo do estado do paciente, pode ser necessário passar antidepressivos e ansiolíticos”, diz a neurobióloga. Ela explica que a depressão, que leva ao suicídio, é uma predisposição genética que pode ser desencadeada por um gatilho emocional. “A pessoa passa a ter pensamentos repetitivos e destrutivos que podem levar à morte”, diz. No Brasil, ocorrem por dia 26 mortes por suicídio. Um milhão de pedidos de ajuda chegam ao CVV todos os anos.

Serviço procura voluntários para doar 4 horas

Para tornar-se um voluntário do CVV, é preciso ter mais de 18 anos, gostar de ajudar o próximo e ter disponibilidade de quatro horas semanais para prestar atendimento em um dos 71 postos do CVV espalhados pelo país.

Os plantonistas podem optar por trabalhar no posto mais próximo de casa. No Rio, são oito locais — Centro do Rio, Copacabana, Maracanã, Niterói, São Gonçalo, Nova Iguaçu, Volta Redonda e Resende. Os candidatos passam por uma fase de treinamento antes de iniciar o atendimento. O programa não tem vinculação religiosa ou política. Quem tiver interesse deve preencher o formulário que está disponível no site da entidade (www.cvv.org.br) ou ligar para (21) 3244-4141.

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