Um tesouro arqueológico que pode mudar a história

Pesquisadores buscam em Parque de Itaboraí o esqueleto mais antigo da América

Por O Dia

Rio - Eleito um dos patrimônios da Humanidade pela Unesco, o Parque Paleontológico de São José, em Itaboraí, pode esconder um tesouro capaz de mudar a história da Arqueologia. Isso se for encontrado ali um esqueleto humano datado de mais de um milhão de anos, como apostam especialistas. As escavações aguardam autorização do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional).

“A arqueóloga Maria Beltrão, a nossa ‘Indiana Jones’ brasileira, que convidamos para ser a diretora do parque, defende a tese de que os achados podem explicar a teoria da colonização da América Latina”, destaca, orgulhoso, o prefeito Helil Cardozo, que reabrirá o local à visitação pública a partir de hoje. Os achados arqueológicos já foram exibidos no Museu Nacional, no Rio, na mostra ‘As relíquias do Comperj’ — uma referência à região que abriga o complexo petroquímico em construção pela Petrobras.

Depressão de 70 metros deu origem a lago. No local%2C se encontram vestígios arqueológicos importantesDivulgação

Considerado um dos mais importantes sítios arqueológicos das Américas, o parque, segundo especialistas, é o único sítio do planeta onde é possível fazer uma escala evolutiva de artefatos líticos (ferramentas utilizadas pelo homem pré-histórico). “Estamos agora aguardando autorização para iniciar pesquisas nas quais temos grandes chances de encontrar o esqueleto humano mais antigo da América”, afirma Luis Otávio Castro, gerente do parque.

Em 1928, um fazendeiro encontrou pedaços de rocha que descobriu se tratar de calcário. A Companhia Nacional de Cimento Mauá comprou a área e dali partiu o material usado na construção da Ponte Rio-Niterói e do Maracanã. Importante para a época, a fábrica chegou a ser visitada por alguns presidentes da República. Com a exploração mineral, descobriram-se vestígios arqueológicos. E quando o calcário se esgotou, em 1984, restou uma depressão de 70 metros, progressivamente coberta com água da chuva e de veios subterrâneos, dando origem a um grande lago.

Estudantes terão ‘Um dia no parque’

A área foi desapropriada em 1990 pela Prefeitura de Itaboraí, que a declarou de utilidade pública. Em 1995, nascia o parque. Interessados em conhecer de perto este patrimônio do estado podem participar de visitas guiadas gratuitas hoje, encerrando a Semana do Meio Ambiente na cidade. Os ônibus partirão às 8h e às 13h da prefeitura.

“Nossa intenção é democratizar o acesso ao parque, que já recebe visitas de profissionais e estudiosos de todo o mundo”, disse André Pereira, subsecretário de Meio Ambiente. No segundo semestre, as escolas municipais começarão a receber as visitas guiadas, no programa ‘Um dia no parque’. Atividades lúdicas e educativas farão parte da programação, que falará sobre a história da Bacia de Itaboraí. Placas informativas serão instaladas no local, que receberá ainda sala de vídeo e laboratórios de Paleontologia, Geologia e Arqueologia.

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