Rio centraliza investigações para diminuir os assassinatos

Delegacias no estado serão interligadas para evitar casos como do Monstro de Corumbá

Por O Dia

Rio - Na tentativa de reduzir os assassinatos e aumentar a elucidação desses casos no Estado do Rio, a Secretaria de Segurança vai criar o Departamento de Homicídios, que passará a coordenar as investigações sobre esse tipo de crime, que tem apresentado aumento mesmo após a criação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs). O novo departamento quer evitar também casos como do serial killer da Baixada que chocaram a cidade e o país.

Com a nova unidade, a secretaria vai apertar o cerco contra os assassinos no interior do estado, já que as delegacias distritais serão interligadas ao departamento, o que deverá facilitar o trabalho dos inspetores e elevar o índice de elucidação de casos. No interior, não há unidades especializadas em homicídios como já existem na capital, Baixada e Niterói, que contam com Divisão de Homicídios cada uma. No restante do estado, as delegacias são responsáveis por investigar os assassinatos com todos tipos de crime.

Os papéis que criam o Departamento de Homicídios já estão na mesa do secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, que pretende assiná-los nos próximos dias. Segundo ele, o responsável pela nova unidade será o delegado Rivaldo Barbosa, titular da Divisão de Homicídios da capital (DH) há três anos.

O novo departamento visa a evitar casos como o do serial killer Sailson José das Graças, de Corumbá, na Baixada FluminenseAlexandre Vieira / Agência O Dia

“O índice de elucidação de casos de homicídio antes da criação das divisões de homicídios era muito baixo e aumentou muito após investirmos nessas especializadas. Com esse departamento, teremos ainda mais pessoal e estrutura para combater esse tipo de crime”, espera Beltrame.

Com o Departamento de Homicídios, casos como do serial killer da Baixada Fluminense Sailson José das Graças, o Monstro de Corumbá, podem ser descobertos antes que o criminoso aja em série. Preso em dezembro do ano passado pela Divisão de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF), Sailson, que confessou ter matado 43 pessoas em nove anos — sete mortes foram confirmadas —, nunca havia sido investigado.

Na época da prisão, o delegado responsável pelo caso, Pedro Medina, justificou a liberdade do criminoso pelos assassinatos terem sido registrados em várias delegacias distritais e em períodos diferentes. A DHBF foi inaugurada no início do ano passado. De acordo com o Instituto de Segurança Pública (ISP), em sete de 11 meses de 2014, houve aumento no número de homicídios no estado em relação ao mesmo período do ano passado. Os números são referentes ao período de janeiro a novembro, já que os índices de dezembro ainda não foram disponibilizados pelo ISP.

Os aumentos foram registrados entre janeiro e julho. O percentual mais elevado aconteceu em fevereiro quando o número de pessoas assassinadas foi de 389 em 2013 e 482 no ano passado, um crescimento de 23,9%.

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