Rio usará fumacê para eliminar mosquito até os Jogos 2016

Prefeitura reage a campanha internacional para esvaziar turismo e anuncia novas medidas a partir de abril

Por O Dia

Rio - Em resposta à repercussão de alertas na mídia internacional para que grávidas evitem o Brasil por conta dos casos de zika, a Prefeitura do Rio antecipou que vai adotar medidas especiais de combate ao mosquito Aedes aegypti para a Olimpíada. As ações, que seriam reforço a campanhas rotineiras, começam em abril e se estendem até julho, um mês antes dos Jogos, mesmo sendo período de baixa incidência do mosquito na cidade.

Na lista, ainda a ser definida e anunciada oficialmente, até auxílio do fumacê é cogitado e só depende de indicação técnica para ser liberado, já que a formulação do inseticida usado no Brasil, o Malathion, pode causar danos ao meio ambiente e à saúde, inclusive de humanos. Por ser pontual e temporário, também não é a forma mais eficiente para matar o Aedes. 

Criticado por danos ao meio ambiente e à saúde humana%2C fumacê que era amplamente usado e foi restringido nos últimos anos%2C voltará às ruasAlessandro Costa / Agência O Dia (09.11.2010)

Os locais de competição, que já recebem visitas de agentes de saúde, além das inspeções prévias, contarão com equipes fixas da Secretaria Municipal de Saúde. Pontos turísticos e arredores das instalações dos Jogos integram as unidades alvos da força-tarefa, que pretende eliminar qualquer possível reservatório remanescente das obras e tratar os não passíveis de eliminação.

Outra tática é treinar funcionários dos locais onde serão realizadas as provas para que o efetivo esteja atento e elimine um possível depósito o quanto antes, até mesmo de um simples copo de plástico esquecido a céu aberto, que pode vir a acumular água da chuva. Os pontos maiores e com cronogramas longos durante os Jogos podem ter até três agentes fixos, com atuação diária nas buscas, eliminação ou tratamento dos potenciais focos do inseto.

De acordo com balanço da Secretaria Municipal de Saúde, 3 mil agentes de vigilância ambiental em saúde estão em campo, em toda a cidade, para eliminar criadouros do Aedes aegypti, mosquito causador das doenças dengue, zika e chikungunya. As vistorias, realizadas o ano inteiro, são sempre intensificadas no verão, por conta do aumento das chuvas. Ainda segundo o órgão, em 2015 o Rio registrou o segundo menor número de casos dos últimos cinco anos e não há epidemia na cidade no momento, apenas uma situação de alerta, como explicou o ex-ministro da Saúde, José Gomes Temporão, em entrevista ontem ao DIA.

Em 2015, foram feitas mais de 10 milhões de visitas de inspeções pelo município, com orientação da população, já que 80% dos focos surgem em ambientes domésticos, e uso da aspersão de inseticida (fumacê) em casos específicos. A rotina consiste em aparição dos agentes em um período que varia de uma semana a um mês, conforme estimado após avaliação técnica. Dentre os locais públicos que recebem atenção especial está o Sambódromo. Visitado de 15 em 15 dias ao longo do ano, próximo ao Carnaval, a visita passa a ser semanal.

Além do Rio, as cidades de São Paulo, Brasília, Belo Horizonte e Salvador terão competições de futebol, para aproveitar estádios que foram construídos ou reformados para a Copa de 2014. A capital baiana já conseguiu reduzir os casos em mais de 70%, mesmo em meio à epidemia no estado, ocorrida em meados de 2015, período similar ao da competição de futebol da olimpíada.

Rede propaga medo do Brasil

A discussão sobre o vírus se espalhou ao redor do mundo e a reação é a mesma: fiquem longe do Brasil! Nas redes sociais, o clima é de medo, principalmente em outros países da América Latina, como El Salvador, que já registra casos. Em páginas de importantes publicações como ‘The New York Times’ e ‘BBC News’, usuários das redes sociais, alguns brasileiros, pedem aos turistas que não venham ao país. Um deles chega a sugerir um possível caso de vírus geneticamente modificado, como escreveu na página da BBC.

Durante a semana, publicações como o britânica BBC, o jornal francês ‘Le Monde’ e o americano ‘The New York Times’ destacaram o Brasil dentre os países que merecem atenção por parte dos viajantes. Ontem foi a vez da CNN, dos Estados Unidos, abordar o tema, com orientações dadas pelo CDC, um dos mais confiáveis órgãos governamentais de saúde pública do mundo. A matéria, feita por correspondente do Rio, falava sobre zika e o perigo para afetar o desenvolvimento dos bebês, caso a gestante contraia. A reportagem mostrava números de 2014, obtidos no portal do Ministério da Saúde.

Colaborou a estagiária Rita Costa

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