Cerca de 30 mil pessoas são esperadas para a maior festa literária do país

Foi aberta oficialmente, nesta quinta-feira, a Festa Literária Internacional de Paraty

Por O Dia

Rio - Um bate-papo que reuniu os escritores e ensaístas Beatriz Sarlo (da Argentina), Eliane Roberto Moraes e Eduardo Jardim, em torno da vida atribulada e da obra estupenda do paulistano Mário de Andrade — o grande homenageado desta edição, a décima terceira —, abriu oficialmente na noite de nesta quinta-feira a Festa Literária Internacional de Paraty.

A mesa de abertura chamou-se “As margens de Mário”, e os palestrantes demonstraram muita cultura, erudição e profundo conhecimento a respeito da carreira literária do pai de Macunaíma.

Bate-papo sobre a vida e a obra do paulistano Mário de Andrade abriu a programação ontemWalter Craveiro / Divulgação

A Flip, que todos os anos transforma a bucólica Paraty em paraíso da tietagem e do consumo — pousadas, restaurantes, guias turísticos e barcos de passeio pela Baía de Angra tiram o pé da lama, com previsão de receber 30 mil pessoas de diversas partes do Brasil e do mundo —prossegue hoje, em grande estilo.

É grande a expectativa pelas mesas, especialmente a que abre a programação: Antônio Risério e Eucanaã Ferraz com suas visões particulares entre os territórios da poesia e da arquitetura, falando sobre “A cidade e o território” e a de encerramento, “Do angu ao Kaos”, reunindo o escritor, compositor e filósofo Jorge Mautner e o contista e romancista Marcelino Freire. As referências nominais, claro, são aos livros “Angu de sangue”, de Marcelino, e “Kaos”, de Mautner.

Nomes internacionais

A ligação da cidade com o território – em sua dimensão social, cultural e geográfica – também será vista e discutida hoje durante a mesa “Falando alemão”, reunindo poetas e artistas do Complexo do Alemão, no Rio, além de especialistas no assunto.

De hoje até domingo, muita água promete rolar fora do canal que atravessa Paraty. O público da Flip terá ainda grandes nomes do cenário internacional, como o irlandês Colm Tóinbin, o homem de ‘Nora Webster’; o cubano Leonardo Padura, o homem de ‘Homem que amava os cachorros’; Roberto Saviano, o italiano que comprou briga indigesta com a Máfia, estava no programação, mas foi impedido de viajar.

Os encontros com Bóris Fausto ou com Saviano deverão render muita emoção, o que deve transbordar também da mesa que vai evocar a boemia poética e prosaica que um dia se derramou pela cidade de São Paulo (quem diria, né?), relembrada pelos escritores e jornalistas Roberto Pompeu de Toledo e Carlos Augusto Calil.

O mesmo deve acontecer no encontro litero-musical juntando o poeta, compositor e produtor Hermínio Bello de Carvalho e o menestrel da crítica, José Ramos Tinhorão. Eles vão discutir música e folclore. Roberto, que atualmente é colunista da revista ‘Veja’, já militou no ‘Jornal do Brasil’, e acaba de lançar o livro ‘A capital da vertigem’ (Objetiva), em que recupera o período em que Mário de Andrade viveu no Rio de Janeiro, na Rua Santo Amaro (Catete).

Após a mesa que inaugurou os trabalhos, aconteceu o tradicional show de abertura, na Tenda da Flipinha, com o cantor e pesquisador Luis Perequê, o grupo Os Caiçaras e a paulistana Dani Lasalvia.

Tudo ao vivo pelo telão

Nem todo mundo pode pagar para assistir as mesas (também não é toda mesa que vale a pena esse esforço!). Mas é bom lembrar que a Flip repetirá a transmissão gratuita, ao vivo, da programação principal. O telão fica na praça da Santa Casa, na saída da Tenda dos Autores.

Bom saber também que a mesa Zé Kléber, que acontece hoje às 12h, é gratuita, com retirada de ingressos uma hora antes na bilheteria oficial. Pela primeira vez, os encontros e palestras da programação FlipMais são totalmente gratuitos, com distribuição de senha uma hora antes, na Casa da Cultura. Flipinha e a FlipZona também têm acesso livre, sempre com distribuição antecipada de senhas.

Hoje, amanhã e depois, a Casa Libre & Nuvem de Livro (que fica na Rua da Lapa, bem no Centro Histórico), discutirá as discriminações religiosa, sexual, racial, social e de gênero, reunindo escritores, pensadores e políticos.

A Casa Off Flip está tocando uma intensa programação, reunindo escritores, editores e agentes literários. As últimas informações sobre a Flip em facebook.com/flip.paraty, twitter.com/flip_se e flip.org.br

Reportagem de Luís Pimentel

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