Marcelo Crivella Filho: como ser mais feliz?

A cidade do Rio já foi eleita a mais feliz do mundo, em ranking da Forbes de 2009. E podemos voltar a caminhar para isso

Por O Dia

Rio - Muitas vezes, precisamos pensar de forma diferente sobre a felicidade a fim de aprofundarmos o nosso entendimento sobre sua natureza. Essa afirmação e outras muitas sobre o tema povoaram minha mente durante meus cursos em Oxford.

David Hume, filósofo inglês que admiro, argumenta que o grande objetivo do esforço humano é a busca da felicidade. Ele acredita que, em prol dessa conquista, contemplamos as artes, desenvolvemos a ciência e organizamos as nossas sociedades. A fama, o dinheiro e as conquistas materiais em geral são apenas um meio para chegarmos ao fim desejado: felicidade.

Mas o que é felicidade? É uma emoção? É o mesmo que um prazer? É a ausência de sofrimento? Ou estaria mais ligada a um contentamento? Quais são os princípios gerais que a sustentam?

Um pesquisador britânico publicou estudo em que ganhadores da loteria — pessoas que enriqueceram do nada —, um ano após sacar o prêmios apresentavam nível de felicidade semelhante ao do tempo anterior à riqueza.

O estudo também acompanhou pessoas que ficaram limitadas a uma cadeira de rodas após algum acidente e, depois de um ano, também apresentavam níveis de felicidade semelhantes à época anterior ao acidente. Onde está a felicidade, então?

Nos ensinos de Freud, o pai da psicanálise, seríamos movidos pela necessidade instintiva do prazer. Victor Frankl, sobrevivente do holocausto, diz que somos movidos antes por um desejo de significado, sendo o prazer secundário. Que lado seguir? Prazer pode ser definido como emoções positivas aqui e agora.

E significado, como um senso de propósito futuro. A felicidade como busca máxima do ‘prazer já’ tende a trazer consequências contrárias ao ‘bem-estar permanente’. E uma vida dedicada a um propósito e que renuncia todo o prazer da vida agora também não soa muito feliz. Ben Ashar, preletor dos cursos sobre felicidade em Harvard, concluirá que precisamos satisfazer ambos os desejos.

O importante é saber que, a despeito da forma como achamos a felicidade, o que vale é a buscarmos sempre. Seja como projeto pessoal, seja como coisa maior, voltada à coletividade.

A cidade do Rio já foi eleita a mais feliz do mundo, em ranking da Forbes de 2009. E podemos voltar a caminhar para isso. Seguindo alguns preceitos de uma vida feliz, já estaremos dando um grande passo para isso: pratique a gratidão; perdoe; faça o bem.

Marcelo Crivella Filho é consultor da ONU

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