Catia Mourão: A festa dos autores nacionais

Essa foi, sem sombra de dúvidas, a Bienal da literatura nacional, que saiu do evento mais fortalecida

Por O Dia

Rio - Após 11 dias incríveis, de interação entre o setor produtivo do mercado editorial e os leitores cariocas, nos despedimos de mais uma edição da Bienal do Rio. E essa foi, sem sombra de dúvidas, a Bienal da literatura nacional, que saiu do evento mais fortalecida.

Nunca tantos escritores brasileiros se destacaram na programação oficial. E mesmo nos estandes das editoras, eles brilharam, mostrando o valor da nossa literatura e lotando os pavilhões do Riocentro com milhares de fãs apaixonados.

Mas nem só de romance vive a Bienal e, infelizmente, é preciso falar também sobre os problemas que marcaram o evento e levaram centenas de visitantes a lotar as redes sociais com reclamações dos mais variados tipos.

Queixas que vão desde o ar-condicionado que era desligado diariamente por volta das 18h, transformando os pavilhões em uma sauna coletiva , até os preços do ingresso (R$ 24) e do estacionamento (R$ 25), o que obrigava os visitantes a se despedir da primeira nota de R$ 50 somente para cruzar os portões da Bienal. Vale lembrar que estamos falando de um evento cultural, realizado em tempos de crise, com o objetivo de promover a leitura e torná-la mais acessível.

O valor vergonhoso do Vale-Bienal, oferecido aos estudantes das escolas da rede pública de ensino míseros R$ 5 também deu o que falar. Por mais que editoras e livreiros tentassem, foi quase impossível reduzir os preços a esse ponto, já que para participar do evento tiveram que desembolsar valores que variaram de um carro popular zero quilômetro a um bom apartamento de classe média valores equivalentes aos cobrados por um estande na feira.

Filas intermináveis, que começavam ainda de madrugada, com pais que levaram seus filhos para ver os autores midiáticos, pontuaram o evento. O que se via eram crianças e adolescentes correndo assim que abriam os portões, com pais desesperados atrás. Muitos caíam e se machucavam na tentativa de conseguir uma senha, o que poderia ser facilmente evitado se a organização disponibilizasse o serviço de senha eletrônica, como fazem os organizadores da Bienal de São Paulo dias antes do início do evento. Enfim, nos resta torcer para que a próxima edição tenha uma organização mais eficiente, que não nuble o brilho da festa.

Catia Mourão é editora na Ler Editorial e autora de 'Elos do Destino' e da saga 'Mais Além da Escuridão'

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