Motociclistas planejam manifestação contra a violência

De tantos ataques, seguro dos veículos está subindo

Por O Dia

Rio - Há sete dias o analista de segurança George Bettini, de 52 anos, passava pela Linha Vermelha, em Duque de Caxias, na Baixada, às 17h30, quando dois criminosos o abordaram e apontaram uma arma para o seu rosto. Sua motocicleta, uma BMW, avaliada em R$ 45 mil, foi roubada: a segunda em pouco mais de dois meses. Revoltados com a onda de violência contra motociclistas, ele e outros mais de 500 do grupo Portal Big Trails, vão fazer uma manifestação no dia 11, na orla do Rio, para pedir medidas de proteção.

De acordo com os integrantes da Federação de Motociclistas do Rio e da Federação de Batedores, 250 motos são roubadas em média por mês no estado.

Vítimas frequentes de roubo%2C motociclistas querem patrulhamento e blitz nos pontos mais afetadosMárcio Mercante / Agência O Dia

“No dia 5 de março fui assaltado na Avenida Presidente Vargas e levaram minha moto. Domingo passado a cena se repetiu em outro ponto do Rio. A tática geralmente é a mesma: dois homens numa moto emparelham, apontam a arma e pedem para encostar”, lamentou George Bettini.

Ainda segundo ele, devido aos constantes roubos, o seguro de sua moto teve um reajuste de mais de 46%. Morador de Niterói, ele pagava no ano passado R$ 2.600 e este ano passou a pagar R$ 3.800. “Se continuar assim, tende aumentar o valor do seguro. Está difícil andar de moto no Rio. Não é seguro”, afirmou o motociclista.

No fim de semana passado, 12 motociclistas do grupo Portal Big Trails tiveram suas motos roubadas. Eles afirmam que os criminosos atuam em diversos pontos do Rio. Linha Vermelha e Amarela (na altura de Caxias e Maré), Arco Metropolitano, Tijuca, Santo Cristo, Centro, e Avenida Pastor Martin Luther King são os locais com maiores incidência de ataques. “No Arco cercam a gente (motociclistas) até a pé. Se não pararmos, atiram”, contou um integrante que não quis se identificar.

Em nota, a assessoria da Polícia Militar informou que o Batalhão de Policiamento em Vias Expressas realiza patrulhamento com viaturas e motocicletas e que os batalhões das áreas citadas fazem patrulhamento e blitzs.

Uso no crime e ostentação

De acordo com o titular da Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis (DRFA), Pedro Medina, os criminosos, no momento do roubo, priorizam motos de grande cilindrada. “Elas são mais rápidas e os criminosos usam para praticar outros crimes e também ostentam na comunidade”, afirmou o delegado.

O gerente de projetos Alexandre Gonçalves Pereira, 49 anos, contou que os bandidos roubam modelos esportivos, adventures, customizadas e de grande cilindrada. “Preferem as mais caras e velozes para o caso de uma fuga. Mas roubam de tudo. Como temos rastreadores nas motos, ficamos sabendo da localização delas. E grande parte é levada para comunidades como Complexo do Alemão e Chapadão, Parque União e Providência. Fazem o desmanche das peças, enquanto outros usam para a ostentação. Não há como recuperá-las”, disse.

‘Início da cadeia de roubos’

Porta voz do movimento Contra a Insegurança dos Motociclistas e o Aumento de Roubos de Motos no Rio de Janeiro, Alexandre Pereira, acredita que mais de 500 pessoas participem da manifestação. O ponto de encontro será na Avenida Embaixador Abelardo Bueno, em Jacarepaguá, às 8h. De lá, os motociclistas devem seguir para o Recreio e passar pelo Leme e Aterro do Flamengo. “Somos nós o início da cadeia do roubo, pois nossas motos são roubadas e usadas para a prática de outros crimes”, comentou.

Ele, um dos poucos que não foi roubado no Rio, sente no bolso a escalada da violência. “Moro em Jacarepaguá. O seguro da minha moto é quase 100% a mais para quem é morador de Niterói, por exemplo.”

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