Obras do Complexo de Deodoro são investigadas pela Polícia Federal

Suspeita de superfaturamento de R$ 85 milhões em serviços para a construção desencadeou a operação

Por O Dia

Rio - A suspeita de fraude estimada em R$ 85 milhões na prestação de serviços das obras do Complexo Esportivo de Deodoro levou a Polícia Federal a cumprir, nesta terça-feira, cinco mandados de busca e apreensão na sede do consórcio, forma do pelas construtoras Queiroz Galvão e OAS, em empresas subcontratadas e em casas de supostos envolvidos no esquema de desvio de dinheiro.

O complexo é a segunda área mais importante de competições da Olimpíada. Serão disputadas ali 11 modalidades olímpicas e quatro paralímpicas. Chamada Bota-Fora, a operação da PF teve participação do Ministério da Transparência, Fiscalização e Controle (antiga Controladoria Geral da União), Receita Federal e Ministério Público Federal.

O alvo da investigação são os serviços de transporte e descarte do entulho da obra. Segundo o Ministério da Transparência, em meados do ano passado a CGU descobriu indícios de falsificação de documentos e superfaturamento. Foram encontrados registros falsos dos volumes de resíduos retirados do canteiro de obras e levados para um aterro sanitário em Duque de Caxias.

Os investigadores descobriram que documentos chamados Manifesto de Resíduo, que registram cada transferência do entulho, foram “montados” com volumes fictícios de resíduos transportados e assinaturas falsificadas.

A procuradora Tatiana Pollo Flores, que integra a equipe de investigação do MPF, disse que os suspeitos são investigados pelos crimes de direcionamento de licitação, falsidade ideológica, estelionato e apropriação indébita. A prestação de serviço para transporte e descarte do entulho tinha valor inicial previsto de R$ 80 milhões e sofreu aditivos até chegar a R$ 128,5 milhões, acréscimo de R$ 48,5 milhões. O Ministério da Transparência calcula que os desvios possam chegar a R$ 85 milhões.

Em nota, o consórcio Complexo Deodoro atribuiu o aumento no valor inicial do contrato ao volume de entulho transportado maior do que o previsto. O consórcio informou que “a alteração não impactou o valor total da obra estipulado em contrato”. O consórcio não divulgou como o valor manteve-se o mesmo, apesar do aumento das quantias contratuais.

A prefeitura diz que, por causa do bloqueio judicial, nenhum pagamento do transporte de entulho foi feito até o momento.

Últimas de Rio De Janeiro