Travestis e mulher são presas por dopar e roubar clientes em Copacabana

Em apenas um fim de semana, o trio movimentou mais de R$ 50 mil de vítimas, entre transferências bancárias e aquisição de bens de luxo

Por O Dia

Rio - Agentes da 12ª DP (Copacabana) prenderam duas travestis e uma garota de programa que dopavam clientes que as procuravam nas ruas de Copacabana, na Zona Sul do Rio. As vítimas eram drogadas com uma mistura de remédios controlados, como antidepressivos, e o trio fazia saques e compras com os seus cartões. Em um fim de semana, foram mais de R$ 50 mil em transferências bancárias e compras em lojas de luxo.

De acordo com o delegado Gabriel Ferrando, titular da 12ª DP, o golpe é uma espécie de nova modalidade do já conhecido "Boa Noite, Cinderela", quando as vítimas são drogadas, mas apagam. "Nestes casos, a vítima ficava em semiconsciência, acordada, mas sem saber o que estava acontecendo. Ela não fica apagada e os criminosos conseguem fazer o que quiser, inclusive pegar com as próprias os dados bancários. Mesmo dopados, chegavam a acompanhar os golpistas nas lojas", disse. 

David Daniel Alves de Jesus, a Jéssica, de 19 anos; Alan Bruno da Silva Soares, a Bruna, 30 anos; e Nathália Malafaia Pinheiro, 28 anos, trabalham nas ruas de Copacabana e os homens, alvos dos golpes, as procuravam para programas em hotéis da região. Após o cliente ser dopado, elas começaram a usar os seus cartões, comprando bolsas, malas e celulares caros, principamente em lojas de luxo. Imagens dos estabelecimentos flagraram a ação delas.

A operação, denominada "Antídoto", que prendeu o trio foi deflagrada na última quinta-feira, após informações de que elas viajariam para o exterior. "A ideia era monitorar mais tempo, mas tivemos que antecipar a operação", disse o delegado.

Uma das criminosas colaborou com as investigações e vai responder em liberdade. Ela deu detalhes de como era feito o coquetel de remédios dado às vítimas, de como a quadrilha agia. Ferrando ressaltou a importância de outras vítimas comparecerem à delegacia para denunciar os crimes. "O número de vítimas pode ser muito maior. Muitas funcionárias de lojas viram as golpistas com outras pessoas no mesmo estado, dopadas. É complicado porque dificilmente estas pessoas que são vítimas procuram espontaneamente a delegacia", contou.

No celular de uma das presas tinham vídeos de vítimas, filmadas em momentos íntimos. "Elas também usavam isso como forma de evitar uma prisão, caso a vítima falasse que procuraria a polícia", revelou o delegado.

Caso descoberto após família registrar 'desaparecimento'

A polícia descobriu os crimes praticados pelo trio após a família de uma das vítimas procurar a delegacia para registrar o seu desaparecimento. Horas depois, eles voltaram com o familiar, ainda atordoado por conta do efeito dos remédios. Ele ficou 24 horas sem dar notícias.

"A vítima foi para um evento na quinta à noite, e só voltou na sexta-feira à noite, chegando em casa debilitado. Aí a família o trouxe para a delegacia. Após rastrearem os dados bancários, descobriram os gastos e onde foram feitos", disse o delegado, revelando que dois dias depois foi identificada outra vitima.

As três movimentaram mais de R$ 50 mil em um fim de semana, R$ 29 mil somente de uma das vítimas, entre transferências bancárias e aquisição de bens de consumo caros.

Além do prejuízo financeiro, os homens corriam risco por conta da mistura dos remédios feita pelas criminosas. "Se a pessoa tem uma doença pré-existente, poderia até acabar em morte. Volto a apelar que as vítimas compareçam e relatem esses crimes", pede Ferrando.

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