Pipa: entretenimento barato que atrai adultos e crianças

Pipeiros cariocas, além de abastecerem mercado interno, que não despenca nem com a crise, estão exportando papagaios para outros países

Por O Dia

Rio - Paixão de crianças e adultos desde as primeiras eras da humanidade, as pipas produzidas no Rio de Janeiro estão, literalmente, sendo alçadas a voos mais altos. Os pipeiros (quem confecciona ou empina papagaios) cariocas, além de abastecerem um intenso mercado interno, que não despenca nem com a crise, também passaram a exportar suas, digamos, “obras de artes”, para países como França, Itália, Portugal, Espanha, Alemanha, Chile, Paquistão, Índia e Indonésia. Não se sabe precisamente quantas pessoas se dedicam à confecção de pipas na capital, mas o próprio setor estima que sejam mais de duas mil, levando-se em conta pequenos, médios e grandes empreendedores.

Mauro Proença (E) e seu freguês%2C Anderson Gomes%2C que vem de Brasília atrás de suas famosas pipasarquivo pessoal

“Já tenho clientes espalhados pelo mundo inteiro. Meu negócio acabou virando também um intercâmbio cultural”, atesta o técnico de áudio Mauro Proença, conhecido como Mauro Pipeiro, de 41 anos, de Engenho de Dentro, na Zona Norte. De acordo com ele, das quase 5 mil pipas que vende por mês, 5% (250) vão para o exterior. “Hoje, vivo exclusivamente disso e chego a contratar até dez ajudantes, dependendo da encomenda”, justifica Mauro, que fabrica pipas de até 1,50 metro de altura, com preços que podem variar de R$ 1 a R$ 250.

Em seu perfil no Facebook (www.facebook.com/pipascincoestrelas), onde também dá dicas de boas condutas — como o não uso de cerol e linha chilena —, Mauro já tem 5 mil amigos e uma fila de mais mil, que querem aprender suas técnicas. “Junto com colegas, como Jaime Teixeira, um dos grandes incentivadores de festivais, torneios e encontros de pipeiros, também conhecidos como ‘guerras de pipas’, vamos instituir oficinas para crianças. Temos que manter a tradição”.

Genivaldo Leal, de 37, de Realengo, na Zona Oeste, conta que abandonou o emprego de frentista para montar pipas. “Ganho três vezes mais comercializando pipas para Brasília, Manaus, Minas Gerais e, agora, França e Espanha”, revela.

Quem apenas curte a brincadeira não se cansa de enaltecer benefícios. Mestre da construção civil, Cláudio de Oliveira, 46, do Jardim Catarina, em São Gonçalo, na Região Metropolitana, dedica suas horas de folga ao hobby de empinar pipas. “Nasci soltando pipas. Essa atividade, além de ser um artesanato, une a família, propicia novas amizades e leva lazer onde não tem, aumentando a segurança”, observa Cláudio. Em Caxias, na Baixada, o garçon Maurílio Alves, 49, se orgulha de passar o que sabe sobre desbicar (fazer a pipa dar um mergulho) ao filho Maciel, 13. “Ele está craque, dominando bem a carretilha”, gaba-se.

Quem vê centenas de pipas no ar, em dias de sol, na maioria dos bairros do Rio, nem imagina o quanto o mercado evoluiu. Os papéis de seda hoje são mais resistentes e com mais opções de cores, e até mesmo as varetas das estruturas, antes de bambus, agora são mais modernas, de fibras de vidros. 

Lei obriga fabricantes a advertirem sobre uso ilegal da linha chilena

Hoje tem vários eventos, como o ‘Pipa no Céu, Alegria na Terra’, no Alto da Boa Vista, o dia todo; o ‘Inhaúma Vai Parar’, a partir de 9h, na Beira Rio; e o Festival de Pipas na Rua Coritiba, em Realengo, começando com café da manhã, em homenagem a vários aniversariantes.

Na quinta-feira, a Alerj aprovou, em segunda discussão, o Projeto de Lei 1.418/16, que obriga fabricantes a colocarem nas pipas a advertência de proibição de uso de cerol ou linha chilena.

Não se sabe ao certo a origem da pipa. No Egito, porém, hieróglifos já mostravam objetos que voavam controlados por fios. Os fenícios também a conheciam, assim como africanos, hindus e polinésios.

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