Redutos do crack na Baixada Fluminense

Praças e calçadas dos municípios de Duque de Caxias e Nova Iguaçu estão sendo tomadas por usuários de drogas

Por O Dia

Rio - O número de usuários de crack na Baixada Fluminense vem assustando moradores. Em Duque de Caxias eles ficam principalmente no entorno de um supermercado, ao lado da rodoviária, no Centro, próximo à Favela do Lixão. Em Nova Iguaçu, as Praças do Centro também estão virando local de encontro de usuários da droga.

Crianças, adolescentes e adultos, cheiram, fumam, fazem suas necessidades fisiológicas. As camas são improvisadas com sacos, papelão, folhas de jornal, lonas ou pedaços de compensado.

Dominados pelo vício, em Duque de Caxias, eles fizeram das calçadas da Rua Piratini, no Centro, suas casas. Algumas pessoas afirmam que é muito comum ver cenas de agressividade. “Eles ficam meio desorientados e agressivos, dá medo ficar aqui, mas o ponto de ônibus é bem em frente, temos que conviver com esta situação que vem se arrastando há anos”, conta um morador.

Calçada da Rua Piratini%2C em Duque de Caxias%2C e Praça Santos Dumont%2C em Nova Iguaçu%2C viram pontos ocupados por usuários de drogasLuiz Ackermann / Agência O Dia

Roberta Monteiro, 28, que mora em Mesquita, mas trabalha em Caxias, diz que não se acostumou com a situação. “É assustador a quantidade de dependentes químicos, fico com medo da reação deles. O pior é que o ponto de ônibus é bem em frente de onde eles ficam”, diz.

Assaltos também são comuns na região. “Já fui assaltada aqui, levaram meu celular e um relógio. O rapaz estava nervoso, mas disse que não ia me machucar. Ele não estava armado, foi muito rápido, não vi bem o rosto dele, mas tive receio. Depois disso, evito passar aqui sozinha e durante a noite”, contou Fernanda Santos, 25.

Quando as portas das lojas se fecham, em Nova Iguaçu, a Praça da Liberdade, no Centro, é tomada por usuários de drogas. “Todos os dias eles aparecem assim que o comércio encerra o horário de trabalho. Tenho receio de passar por aqui, mas os pontos de ônibus são todos aqui perto”, conta uma vendedora que não quis se identificar.

Da janela de seu apartamento uma moradora descreve o cenário da Praça Santos Dumont: “Eles se drogam a qualquer hora, mas a noite é pior. Agora estão até montando acampamento. Ninguém pode usufruir da praça porque é perigoso. Em pensar que aqui já foi um bom lugar para frequentar”, relembra.

Para o psiquiatra Leonardo Lessa, que trabalha com atendimento a usuários na Baixada, “estamos diante de um aumento vertiginoso de casos de usuários de crack”. Para ele, trata-se de uma epidemia.

“O que mais me assusta é a questão da faixa etária. Eles começam a usar crack cada vez mais cedo”, afirma a conselheira tutelar Suelen Cadei.

Em nota, a Prefeitura de Duque de Caxias informou que a secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos constantemente realiza ações de retiradas e acolhimento de usuários de drogas. Os usuários que por vontade própria quiserem atendimento, são encaminhados ao Centro POP (Centro de Atendimento à População de Rua), onde podem permanecer por um mês. Neste período, é feito um trabalho de busca da família e a reinserção do dependente. Aqueles que optam por tratamento, são direcionados ao Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS AD). A Prefeitura afirmou ainda, que parte destes dependentes químicos são de municípios da Baixada e outra parte vem de outras regiões.

Já a Prefeitura de Nova Iguaçu afirmou que realiza abordagem noturna duas vezes por semana e também abordagens durante o dia. Nestas ações a prefeitura disse que recolhe as barracas de lona e papelão, mas que eles acabam voltando.

O acolhimento dos usuários de drogas e dos moradores de rua só é feito caso eles concordem com o tratamento.

Sobre a segurança nestes locais, a PM disse que o patrulhamento é feito de forma dinâmica, mas que a denúncia será analisada e as rondas poderão ser intensificadas.

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