Por monica.lima

O Congresso leu a 16ª fase da Operação Lava Jato, batizada de Politeia, como os preparativos para uma próxima investida mais dura, que não poderia ser outra a não ser a denúncia, por parte do ministro Teori Zavascki, de políticos da lista do procurador-geral Rodrigo Janot, enviada ao STF há quatro meses. Tanta movimentação jurídica e policial, com respaldo do Supremo e focada em parlamentares sinaliza que haverá desdobramento breve e expressivo. Pela primeira vez, pelo menos sob regime democrático, a Polícia Federal invadiu a casa de um ex-presidente da República e de senadores. Se, de fato, o próximo passo for a denúncia e ela incluir os presidentes do Senado e da Câmara, caso seja aceita pelo Supremo isso implicará no afastamento dos dois, temem parlamentares. O que explica tanta indignação.

Vale tudo

O governo quer aprovar, com urgência constitucional, o projeto de lei que permitirá a repatriação de recursos depositados (e não declarados à Receita Federal) no exterior. Turbinada pela crise, é uma velha ideia que volta com força, tirada do baú por Joaquim Levy. O Ministério da Fazenda calcula que serão repatriados entre 30 bilhões e 40 bilhões de dólares. Nas atuais circunstâncias, contribuirá para aumentar as reservas e acalmar o mercado cambial.

Falta de sorte

Tremendo mico o depoimento do ministro José Eduardo Cardozo, hoje, na CPI da Petrobras. Além de ter que enfrentar adversários do próprio PT, a pauta obviamente será a Operação Politeia, cujo alvo foi o Congresso. Ninguém se lembra mais do motivo da convocação do ministro - arapongagem na cela do doleiro Alberto Youssef.

Na berlinda

Oposição e governo se juntaram ontem para sentar o sarrafo no TCU. Convidado a comparecer na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, o presidente do tribunal, Aroldo Cedraz, mandou um ofício informando que não poderia ir. Foi o suficiente para os senadores criticarem a atuação independente do TCU, que, segundo eles, tem concorrido com o STF nas suas atribuições. Para completar, o escritório do filho do ministro, Tiago, foi um dos visitados pela PF com mandado de busca e apreensão.

Amiga Cristina

A presidente argentina Cristina Kirchner chegará a Brasília na sexta, 17, para a reunião presidencial do Mercosul. Ela defenderá o ingresso pleno da Bolívia no bloco - o protocolo de adesão já foi ratificado pelo Congresso de seu país -, fará a defesa da soberania sobre as Ilhas Malvinas e voltará a atacar os Fundos Abutres. Estes três temas formarão o eixo do discurso argentino na reunião.

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