Esplanada: Assunto era corte de gastos, mas 'Jantar da PEC 241' foi ostentação

A grande maioria dos 215 parlamentares chegou ao Palácio a bordo de carros executivos com motoristas – alugados por R$ 500 a diária

Por O Dia

Brasília - O assunto era corte de gastos. Mas o banquete oferecido pelo presidente Michel Temer aos aliados da Câmara no Palácio da Alvorada foi pura ostentação.

Chamou a atenção a garrafa rara de uísque Blue Label 750ml (mais de R$ 660 na praça) que foi servido “só para a diretoria” ao final do “Jantar da PEC 241”, como foi batizado. A grande maioria dos 215 parlamentares chegou ao Palácio a bordo de carros executivos com motoristas – alugados por R$ 500 a diária.

No meu, não

Prefeitos foram fundamentais na pressão aos deputados para votarem pela aprovação da PEC 241. Pelo texto, eles não terão os índices dos repasses federais alterados.

Mistério no ar

Maior voz na Câmara contra o ‘golpe’, o deputado Silvio Costa desembarcou no aeroporto de Brasília domingo à noite, enquanto o presidente Temer iniciava o jantar.

Resquícios

Um advogado ligado ao ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha tornou-se o favorito para a vaga do Senado no Conselho Nacional de Justiça.

Au revoir, Haiti

Ironia do destino. O furacão Mattew que destruiu de novo parte do Haiti ocorre a dois meses de o Brasil retirar de vez suas tropas da Minustah no país caribenho. As Forças Armadas e o Governo agora estão numa situação delicada diante da Organização das Nações Unidas. E não há mais dinheiro para novo envio de tropas.

Penetra?

O nome do presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson (RJ), não constava na lista de convidados do “Jantar da PEC 241”. Mas o delator do mensalão compareceu e transitou aos sorrisos e abraços pelos salões do Alvorada. O presidente Temer fugiu dele.

Família êh!

Além dos 215 deputados e alguns poucos ministros, o “jantar da PEC 241” contou com a presença de mais de 100 familiares dos parlamentares. Muitos não entenderam uma linha do discurso descontraído Temer, mas balançaram a cabeça em sinal de apoio.

Oposição por gosto

O PT é curioso. Votou contra o Plano Real e a Lei de Responsabilidade Fiscal – duas conquistas de sucesso na gestão pública. Agora, é contra a PEC do Corte de Gastos.

Fio da navalha

O PSDB atua para tentar blindar e manter o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, no cargo. Não está fácil. Suspeito de ter antecipado uma operação da Lava Jato – e justo contra um rival político de Duarte Nogueira, que estava a seu lado.

Há fila

Um interlocutor do Planalto afirma que a situação de Moraes está “insustentável”. O nome de um deputado do PMDB, que tem no currículo relatoria de CPI e firme atuação jurídica na Câmara, já foi citado como possível substituto de Moraes.

Janela

Potencial nome do PDT ao Planalto em 2018, e diante do cenário cada vez pior para Lula da Silva, o ex-governador Ciro Gomes abandonou o discurso de apoio ao amigo e inicia os passos para se tornar ex-aliado. Ciro vislumbra ser o nome do centro-esquerda.

Muy amigo

Ciro tem repetido a próximos que a trajetória de Lula “já deu o que tinha que dar”.

Ponto Final

“O fechamento de questão a favor da PEC 241 pela executiva nacional e pela bancada do PMDB fere a constituição brasileira e o estatuto e programa do partido. Estaremos a serviço dos banqueiros e da geopolítica de países estrangeiros?”

Do senador Roberto Requião (PMDB-PR), chamado nos bastidores de ‘Tia Louca’, em mais investida dissidente contra o próprio partido.

Coluna de Leandro Mazzini

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