Temer faz novo apelo por votação da reforma da Previdência ainda este ano

Presidente se reuniu com aliados para um jantar na casa do líder da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ)

Por O Dia

Brasília - O presidente Michel Temer fez neste domingo, mais um apelo a integrantes da coalizão governista pela aprovação da reforma da Previdência ainda este ano, sob o argumento de que, sem ela, o desemprego aumentará e o País não conseguirá retomar o crescimento econômico. O governo não tem os 308 votos necessários para que a proposta passe na Câmara, mas a tendência, agora, afirmam aliados, é que partidos da base fechem questão, obrigando seus parlamentares a votar favoravelmente à proposta.

A estratégia foi discutida em jantar na residência oficial do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), do qual participaram dez ministros, senadores, deputados e presidentes de partidos aliados. Temer admitiu as dificuldades para fazer as mudanças na aposentadoria e os problemas na comunicação da proposta, mas disse que não jogou a toalha.

Mesmo com dificuldades, Temer pretende votar reforma da Previdência ainda este anoReprodução/Twitter/Palácio do Planalto

No jargão político, o termo "fechar questão" é usado quando um partido toma uma posição única sobre como cada um deve votar em determinado tema. Nesse caso, os parlamentares que desrespeitam a orientação podem ser punidos.

"Houve o compromisso de todos os partidos em trabalhar suas bancadas, alguns fechando questão, outros mais no convencimento, mas com a certeza de que todos vão trabalhar, de hoje até quarta-feira, para que a gente possa ter uma análise melhor de quantos votos temos", disse Maia.

Pelos cálculos do presidente da Câmara, os partidos representados na reunião do domingo à noite somavam 320 votos. Apesar do otimismo, Maia disse que ainda não sabe quando a reforma da Previdência será levada ao plenário. Uma nova reunião de Temer com aliados foi marcada para a noite de quarta-feira, no Palácio da Alvorada.

Na avaliação do governo, todo esforço precisa ser feito agora para aprovação do texto, porque, se nada for votado até o dia 15, será quase impossível aprovar algo no ano eleitoral de 2018. A equipe de Temer corre contra o tempo para aprovar em primeiro turno, na Câmara, pelo menos a idade mínima para a aposentadoria (65 anos para homens e 62 para mulheres). A ideia é que o texto seja levado ao plenário no dia 13.

Para Maia, não aprovar a Previdência "é a vitória de Lula ou Bolsonaro" porque, no seu diagnóstico, "os extremos não querem reformar o País e apostam em um cenário pior".

"Em ocorrendo o fechamento de questão, nos partidos da base e nos demais partidos comprometidos com o equilíbrio fiscal, a aprovação da reforma da Previdência é perfeitamente possível", afirmou o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha. "É um caminho para ajudar aqueles que estão indecisos e também para os que acham que os eleitores vão protestar", completou o vice-líder do governo, deputado Beto Mansur (PRB).

Delação

Em seu pronunciamento, Temer disse que as mudanças na aposentadoria estavam prontas para ser votadas, e aprovadas, quando surgiu a delação do empresário Joesley Batista e de executivos do grupo J&F. O presidente chamou Joesley de "desajustado da iniciativa privada".

O presidente do PTB, Roberto Jefferson, foi um dos que propuseram que os aliados fechem questão para obrigar seus deputados a aprovar a reforma. Na quarta-feira, o PSDB reunirá suas bancadas na Câmara e no Senado para decidir sobre isso.

Temer participou no domingo de duas reuniões com aliados. Na primeira, no Alvorada, abordou o cenário político para 2018 e a importância da reforma da Previdência para o fechamento das contas públicas. Na segunda, na casa de Maia, ouviu o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, dizer que, se a proposta que modifica a Previdência não passar, o Brasil pode se transformar em uma Grécia. "Isso seria uma barbaridade", argumentou Meirelles.

Apesar da divisão no PSDB, o presidente interino do partido, Alberto Goldman, e o ministro da Secretaria de Governo, Antônio Imbassahy, filiado à sigla, participaram do jantar na residência oficial de Maia. Goldman já disse em mais de uma ocasião que o PSDB sempre defendeu a reforma da Previdência em seu programa. Agora, no entanto, com o racha do partido e o anunciado desembarque da equipe, a ala tucana que faz oposição a Temer afirma que votar por essas mudanças seria o mesmo que um "suicídio eleitoral".

Sem a aprovação da reforma, as áreas de saúde e educação deixarão de receber recursos, gradativamente, nos próximos anos, como mostrou reportagem do jornal O Estado de S. Paulo. A estimativa é que em 2028 o governo não terá mais como pagar os gastos de custeio nem fazer investimentos nessas áreas.

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