Roqueiros fiéis fazem de tudo para não perder uma edição do Rock in Rio

Desde 1985, eles batem ponto no festival. Alguns até pediram demissão para ir aos shows

Por O Dia

Rio - Se a vida começasse agora, eles fariam tudo novamente. E com prazer. Vinte e oito anos atrás, quando o Brasil ainda era um destino incomum para os artistas internacionais, os roqueiros ouvidos pelo DIA tiveram a oportunidade de estar bem perto de Iron Maiden, Ozzy Osbourne, Queen, entre outros. Desde então, esses fãs têm uma certeza inabalável: não podem, em hipótese alguma, perder uma edição do Rock in Rio, evento que começou em 1985 e está em sua quinta edição na cidade.

“Estava com duas férias vencidas no trabalho, combinei com meu chefe de tirá-las este mês, por causa do Rock in Rio. Em cima da hora, ele deu para trás. Aí, pedi demissão e vim”, conta, orgulhoso, o bancário Ideraldo Barbosa, de 51 anos, enquanto segura uma placa com o nome de sua cidade natal, Xapuri, que fica no sudeste do Acre. Próximo do fim do festival, ele não tem medo de se arrepender de sua decisão em relação ao emprego. “De jeito nenhum. O que eu vivi em 1985, nas outras edições e hoje é algo único. É o que a gente leva da vida. Não levamos dinheiro, levamos histórias”, acredita Ideraldo.

A família Dora%3A Adriano (neto)%2C Alexandre%2C Orley e Adriano (filho)%3B Ideraldo Barbosa%2C de Xapuri%2C Acre João Laet / Agência O Dia



O gerente de projetos Edil Corte-Leal, 52, concorda, apesar de não ter chegado ao ponto de pedir demissão no trabalho para curtir dias de rock. Ele levou a filha, Rafaela, 17, para “sentir a vibração do rock”. “Mas hoje as pessoas estão mais contidas. Em 1985, ficávamos sujos de lama, era divertido”, brinca Edil, relembrando a Cidade do Rock da primeira edição do Rock in Rio. Guinho Tattoo, que também levou o filho Luan, 17, faz coro: “Hoje, as pessoas interagem mais, mas sem lama”.

“Parecia até Woodstock”, lembra a contadora Lígia Pessanha, 48 anos, que elege o show de Jaymes Taylor como o melhor da história do festival. “Ele cantava com calma, serenidade”. Mas ela não deixa barato a apresentação de Paulo Ricardo em 1991, no Maracanã. “Foi muiro ruim. E ninguém gostou que ele estava ali sem o RPM (a banda havia se dissolvido em 1989)”, diz.

Histórias de pai para filho

No ano da primeira edição do festival, o hoje aposentado Orley Dora, 73 anos, não tinha o neto Adriano, 17. Nesta edição, ele levou o jovem e os filhos para assistirem aos shows. “Ele (Adriano) sabe o que é música boa”, diz Orley, exibindo sua camisa do Metallica. O aposentado conta que muita coisa mudou de 1985 para cá. “Hoje há menos preconceito em relação aos roqueiros. Naquela época, você não via mulheres curtindo show de heavy metal. Hoje, vejo mulheres e crianças por aqui. O rock é um programa para a família”, comemora.

Guinho Tattoo levou a mulher%2C Andrea%2C e o filho%2C Luan (E)João Laet / Agência O Dia



Francisco Telles, 44 anos, tinha 16, quase a idade que hoje tem o neto de Orley, quando pisou na Cidade do Rock pela primeira vez. Ele assume que já teve implicância, assim como outros roqueiros, com gêneros diferentes daquele que batiza o festival. “Agora, com outra cabeça, acho tudo isso uma bobagem. Em 1985, lembro que implicavam até com Ney Matogrosso. Queriam só rock pesadão. Hoje em dia, cada um tem seu estilo. Todos se respeitam. Do axé ao rock”, ressalta.

Já o comerciário Rudilson Sérgio, 57 anos, não quer nem saber de outros gêneros musicais. “Comigo é só rock pesado”, conta ele, que teve que ir sozinho assistir ao show do Metallica e promete voltar hoje para curtir Iron Maiden. “Meus filhos não gostam”, lamenta. Ele se diz emocionado em estar tão perto de seus ídolos. “Assistir pela TV não é a mesma coisa. Sente só essa energia, é muito boa. Isso aqui é um sonho”, comemora.

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