Filho de Preta Gil, Francisco do Sinara diz que avô voltou com tudo

Primeiro disco do Sinara, ‘Menos É Mais’, que chegou às lojas na semana passada, foi concebido num momento de mudanças para o guitarrista

Por O Dia

Rio - O primeiro disco do Sinara, ‘Menos É Mais’, que chegou às lojas na semana passada, foi concebido num momento de mudanças para o guitarrista do grupo, Francisco Gil — filho de Preta e neto de Gilberto Gil, que divide a banda com o tio José Gil (bateria), o primo João Gil (guitarra), e os amigos Luthuli Ayodele (voz) e Magno Brito (baixo). O músico de 22 anos teve a felicidade de ganhar uma filha, Sol de Maria, em 24 de novembro de 2015. E tensionou-se com os problemas de saúde do avô, internado no ano passado para tratar de uma insuficiência renal.

Francisco Gil — filho de Preta e neto de Gilberto Gil, que divide a banda com o tio José Gil (bateria), o primo João Gil (guitarra), e os amigos Luthuli Ayodele (voz) e Magno Brito (baixo)Divulgação

“Foi um momento delicado para a família. O Gilberto é um símbolo de vitalidade para todos nós. Ficou todo mundo preocupado, até porque era muita notícia chegando sobre isso. A gente precisava filtrar”, conta Francisco, definindo de maneira bastante jovial o que está acontecendo hoje com o avô. “O maluco voltou com tudo!”, diz, alegre. “Voltou com força total. Ele não para de compor, é toda hora. Toda vez que eu vou visitá-lo, ele está na sala com o violão e diz: ‘Fiz uma música nova!’ Queria estar no pique em que ele está”. Já o nascimento da filha (neta de Preta e bisneta de Gilberto), que surgiu de seu relacionamento com a namorada Laura Fernandez, inspirou o EP do grupo lançado em 2015, ‘Sol’.

AMIGOS DE INFÂNCIA

O Sinara (o nome veio de uma expressão inventada por eles que significa algo como “maneiro”) é um projeto de família, mas a concepção da banda veio do encontro de Francisco com Luthuli, que é seu amigo de infância, e é autor da maioria das músicas de ‘Menos É Mais’. Bem depois disso, apareceram os parentes e o amigo Magno, que já trabalha com Gilberto Gil há bastante tempo e hoje é técnico de som e quase um “anjo da guarda” do Sinara. 

“Luthuli é da Rocinha, a gente sempre se esbarrava. E depois calhou de a gente estar na mesma sala de aula. Depois de tantos anos de amizade, ele me apareceu com uma coleção de canções muito legal. Acabamos selecionando vinte músicas, depois sobraram as dez do disco”, conta Francisco.

Todos da banda são compositores, e Francisco chegou a ter uma canção sua gravada pela mãe, ‘Mulher Carioca’. “Só que as músicas que eu faço são bem diferentes da proposta da banda. E o Sinara foi montado em torno das canções do Luthuli”.

Com três parentes no grupo, ele garante que os outros dois não se sentem excluídos e que todos têm voz ativa. “É claro que rola uma família dentro da família. Mas é como se os dois fossem primos. Somos só um grupo de garotos que cresceram juntos”, conta. 

ORGULHO OU VAIDADE?

O disco se localiza entre o rock nacional e toques de MPB e reggae, em músicas como ‘Luz de Sofia’, ‘Ei Pai’, ‘O Tempo Passa’ e ‘Vitória’. Claro que o avô ilustre é uma referência. “É muito, né? Mas a gente nem arrisca falar que época da carreira dele influenciou mais a gente”. Inicialmente, Gil foi discreto nos seus comentários a respeito da banda, para o neto, o filho e o sobrinho. Não chegou nem a ir nos primeiros shows, mas franqueou acesso a seu estúdio para os garotos.

“Nos primeiros contatos, era mais aquela coisa de a gente ser uma banda de garotos, né? Lembro que perguntamos a ele o que ele tinha achado e meu avô respondeu: ‘Eu sinto mais vaidade do que orgulho’. Foi o que ele disse para a gente na época. Ele deixou claro que não era um som que satisfazia o gosto dele”, conta Francisco, que tomou a fala do baiano como uma mensagem e um estímulo para que o som do grupo amadurecesse e mudasse.

Todos da banda são compositores, e Francisco chegou a ter uma canção sua gravada pela mãe, ‘Mulher Carioca’Divulgação

Ao ouvir o disco novo, a reação de Gil foi bastante diferente, como lembra Francisco. “Ele ficou muito emocionado, tocado mesmo. Até chorou. Lembro que ele escutou o disco, que nem estava masterizado ainda, e não falou nada, nem a gente perguntou. Ele só mostrou o braço arrepiado”, conta o neto, feliz. O responsável pela ousadia de mostrar o disco foi Magno, cuja intimidade com Gil devido ao trabalho lhe dava certa autoridade para ousar. “Ele é que ficava falando: ‘Mostra pro Seu Gilberto que ele vai se amarrar’. Ainda bem que ele gostou”.

ROCK IN RIO

No dia 22 de setembro, o Sinara vai ganhar uma chance de ouro que qualquer banda que está em seu primeiro disco gostaria de ter. Vai se apresentar no Rock In Rio, no Palco Sunset, e ao lado do baiano Mateus Aleluia, que foi fundador do grupo vocal afro Os Tincoãs. Aos 73 anos, Mateus acaba de lançar seu segundo disco solo, ‘Fogueira Doce’.

“É uma enorme realização, não tem nem como definir. A gente cresceu assistindo aos shows no Rock In Rio e sonhando em estar no festival, e agora chegou a hora”, conta. “E o Mateus é uma referência para a gente, por trazer essa africanidade para a música brasileira”. 

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