Mangueira: Cristo-Oxalá fora do Desfile das Campeãs após pedido da Igreja

Arquidiocese do Rio de Janeiro disse que decisão foi em "comum acordo". 'Onde vive a intolerância senão nas atitudes?', questionou carnavalesco

Por O Dia

Rio - O marcante carro "Santo e Orixá", com representação de Cristo-Oxalá, usado pela Mangueira na Avenida, ficou fora do Desfile das Campeãs, na madrugada deste domingo. O pedido partiu da Arquidiocese do Rio, mas negou que tenha havido pressão.

"Lamento profundamente que ainda haja muita "sombra" nas atitudes de quem fala sobre a "luz." O desfile da Mangueira, dentre outras coisas, levantou uma bandeira necessária de comunhão e de NÃO a intolerância tal qual prega o base solidificada de qualquer manifestação de fé verdadeira. Pergunto aqui: Onde vive a intolerância senão nas atitudes? Citando de forma oportuna as palavras do "homem" que hoje não desfilará, "Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem", escreveu o carnavalesco da Verde e Rosa Leandro Vieira em uma rede social.

Tripé com representação de Cristo e Oxalá incomodou IgrejaíEfe

Em outra postagem, ele revelou a tristeza de chegar ao barracão e ver o tripé com a imagem sozinho, já que não seguiu para a Sapucaí para o desfile de mais tarde. "Aí você dá um pulinho no barracão pra resolver pequenos detalhes e dá de cara com ele sozinho num espaço vazio."

Procurada, a Arquidiocese disse através de sua assessoria de imprensa que o pedido foi realizado e que "em comum acordo" com a Mangueira e a Liesa foi decidida pela não utilização do tripé. Uma representação jurídica também foi feita pela Arquidiocese do Rio no Ministério Público do Rio.  

Carnavalesco Leandro Vieira postou imagem do tripé%2C que não foi levado para Desfile das CampeãsReprodução Facebook

?Polêmica também na década de 80

Esta não é a primeira vez que a imagem do Cristo cria polêmica na Marquês de Sapucaí. Em 1989, a Igreja Católica proibiu o uso de um carro alegórico, do carnavelesco Joaozinho Trinta, então na Beija-Flor, que trazia Cristo.

O desfile de “Ratos e Urubus larguem minha fantasia” ocorreu com a alegoria coberta por um saco preto em protesto contra proibição. Um faixa gigantesta foi colocada sob o saco e dizia "Mesmo proibido olhai por nós".