Itaú BBA ainda está cauteloso com investimentos no Brasil

Para a instituição, a bolsa brasileira deixou de ser a primeira opção de investimento. Agora, o banco sugere renda variável no México, mas não descarta a possibilidade de o Ibovespa voltar à primeira posição a partir de 2016

Por O Dia

O cenário de crescimento negativo do Produto Interno Bruto (PIB), aumento do desemprego e queda da renda real fez com que mercado de renda variável brasileiro deixasse de ser a opção número um do Itaú BBA, que passou a considerar o México. No entanto, este cenário tem chances de mudar a partir do ano que vem.

De acordo com o estrategista-chefe do Itaú BBA, Carlos Constantini, hoje o banco está “underweight” para Brasil, ou seja, está apostando de forma negativa, abaixo da alocação neutra. “Hoje México é nossa principal convicção em América Latina. Uma aposta mais positiva é México e Argentina é uma aposta acima de neutra”, diz, acrescentando que não descarta possibilidade de o Brasil voltar a ser a principal opção a partir de 2016, quando a economia voltar a dar sinais de crescimento.

O executivo pondera, no entanto, que a queda do PIB não implica, necessariamente, em recuo da Bolsa. Mas destacou que o movimento do mercado de renda variável tem forte relação com o retorno sobre patrimônio líquido (ROE). “A Bolsa pode subir independentemente do PIB, mas o ROE não sobe porque as empresas passam a pagar mais impostos em tempos de retração econômica”, diz,ressaltando ainda que tem o custo da dívida das companhias.
De acordo com Constantini, hoje o valuation da Bolsa está em 12,5X o lucro projetado, acima da média histórica de 9X, apesar do fraco desempenho do mercado acionário. “Atualmente, está em 12,5X em função da entrada de recursos”, diz, ressaltando ainda que este movimento reflete o excesso de liquidez no mundo.

Desde o início de os estrangeiros trouxeram para o Brasil R$ 57 bilhões. Ainda de acordo com ele, houve uma forte entrada de estrangeiros no país após a forte desvalorização do real no início deste ano, que levou o dólar a ser negociado acima de R$ 3,00. “Este não é um fenômeno apenas de Brasil. Existe tendência em outros países como Rússia, China, mercados emergentes, México e Índia”, diz, acrescentando que “quando se constrói a tese de investimento sobra pouco upside na Bolsa”.

Para o executivo a expectativa de expansão do Ibovespa é de 19%, com o índice chegando em 63 mil pontos em 12 meses. “Considerando o nível da taxa de juro, fica uma classe de ativo questionável do ponto de vista de alocação, principalmente no curto prazo. Fica questionável investir em ações com o atual patamar de juros", diz. Esse movimento se concentra em três setores: consumo básico, commodities e serviços financeiros. "São os setores da nossa lista de apostas”, afirma.

O vice-presidente executivo do banco, Jean-Marc Etlin, destacou que o mercado de fusões e aquisições está bastante atuante este ano e renda fixa está relativamente estável. “Muita atividade em fusões e aquisições, tanto de investidor estratégico que está fora do Brasil como local. O estratégico está olhando o Brasil para cinco, 10 anos. Acho que os estrangeiros entenderam que o Brasil e a América Latina são regiões voláteis, mas que têm recursos naturais importantes e grande população”, diz, acrescentando que em momentos como este tem visto o interesse do estratégico. “Ele precisa estar no Brasil, principalmente em momento de estresse econômico e estamos visto isso este ano”, acrescenta.

Ele ressaltou que o mercado de dívida doméstica brasileira já está dando sinais de aumento da atividade. Além disso, ele não descarta novas ofertas públicas de ações (IPO, na sigla em inglês) este ano. “Acho bem possível, pode haver um descasamento entre o interesse do controlador e do mercado, mas é possível”, afirma, sem querer destacar algum setor.

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