Frei Betto: Brasil 2015-2018

Não será fácil a quem for eleito assegurar a governabilidade com o Congresso eleito em outubro

Por O Dia

Rio - A única coisa certa quanto à eleição presidencial, hoje, é que o Brasil será governado, nos próximos quatro anos, por uma pessoa nascida em Belo Horizonte. Dilma e eu morávamos na mesma rua: a Major Lopes. A casa da família do Aécio ficava três quarteirões abaixo, na Praça Diogo de Vasconcelos, na Savassi. Lembro dele no carrinho de bebê. Não porque chamasse a atenção entre tantos bebês que tomavam sol na praça, e sim porque minha turma de adolescentes paquerava a babá que o conduzia.

O Brasil faz, hoje, uma eleição plebiscitária entre dois projetos de nação. Quem vencer terá, pela frente, desafios inadiáveis: aprimorar os programas sociais como o Bolsa Família, o Luz para Todos e o Minha Casa, Minha Vida; promover profunda reforma em nosso sistema de saúde pública, aumentando o investimento e a eficiência dos planos privados; melhorar significativamente a qualidade da Educação, a começar pelo Ensino Fundamental, que deveria ser em tempo integral; combater implacavelmente a corrupção e o narcotráfico (e rever a política em relação às drogas); conduzir a reforma política; evitar a inflação e o aumento dos juros; manter a atual política de aumento anual do salário mínimo acima da inflação (em 2002, era de R$ 200; hoje, R$ 724).

Não será fácil a quem for eleito assegurar a governabilidade com o Congresso Nacional eleito em outubro. Os dois maiores partidos, PT e PMDB, tiveram suas bancadas reduzidas pelas urnas. E o PMDB já chega rachado: 60% de seus adeptos estão simpáticos ao PT, e 40%, favoráveis ao PSDB, como demonstrou sua última convenção.

Quem ocupar o Palácio do Planalto terá que negociar muito para obter aprovação de seus projetos. E negociar sem corromper, pois agora, com a delação premiada trazendo a público a maracutaia privada, tanto corruptores quanto corruptos terão que se acautelar.

O que os brasileiros mais desejam, segundo pesquisas, é ter acesso rápido e eficiente aos recursos de saúde, à educação de qualidade, ao emprego e à segurança pública. Em minha opinião, a base reside na Educação. Se em vez de polícias chegassem aos redutos do narcotráfico mais creches, aulas de música e dança, quadras de esportes; se no lugar de prisões fossem construídas mais escolas; se os professores fossem melhor remunerados e qualificados, o filho do traficante não pensaria em virar bandido.

Vote, hoje, no povo brasileiro!

Frei Betto é autor de ‘O vencedor’ (Ática)

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