Cacau de Brito: Trinta anos de democracia

Parece piada, mas é a cruel realidade: ‘patriotas’ e ‘ativistas’ saem às ruas clamando pela volta da ditadura

Por O Dia

Rio - Em 15 de março de 1985, o Congresso empossava o primeiro presidente civil depois de 21 anos de ditadura. O Brasil começava a escrever a história de liberdade num Estado Democrático de Direito conquistado a duras penas, por uma sociedade já cansada dos Atos Institucionais que pariram a censura, a tortura, o arbítrio e a perseguição aos opositores do regime.

Parece piada, mas é a cruel realidade: 30 anos depois dessa conquista, ‘patriotas’ e ‘ativistas’ saem às ruas clamando pela volta da ditadura, para “colocar ordem no caos” em que se tornou a política brasileira. Tudo bem que, no grande grupo dos descontentes com o resultado das eleições, as viúvas da ditadura ou os ingênuos cooptados pelo fabricado clima de falência do Estado representam pequena minoria. Muitos se levam pela cantilena de que sob um regime de exceção, governado pelas armas, não há corrupção, enriquecimento ilícito, aparelhamento do Estado, jogo de interesse inconfessáveis e outros desmandos — que neste momento estão sendo apurados pelo Judiciário e pela Polícia Federal.

Conquistamos a democracia porque as passeatas que levaram ao fim da ditadura tinham pauta clara e lideranças conhecidas por sua história de lutas e resistência contra a tirania. Havia um discurso coerente que apontava para um objetivo claro a conquistar. As manifestações atuais, sejam contra ou a favor do governo, não têm lideranças visíveis nem pauta definida: ao mesmo tempo se defendem e se criticam os governantes, ou então se pede e também não se pede o impeachment da presidenta. As passeatas de hoje não deixam um legado porque os discursos são desencontrados.

Não importa se a sua passeata teve duas mil ou 210 mil pessoas. Importa é que você hoje vive a democracia e tem uma Constituição para garantir a participação popular nos destinos da nação. As Forças Armadas e seus 330 mil soldados devem cumprir suas funções constitucionais, e a sociedade precisa manter as conquistas sociais dos últimos anos, fazer uma reforma política que consolide a democracia e seguir adiante no combate à corrupção.

Cacau de Brito é advogado e pres. do Mov. O Rio Pede Paz

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