Wagner Victer: Geraldino saudosista

Meu Fluminense era uma Máquina criada pelo lendário Francisco Horta que em 2015 completa 40 anos

Por O Dia

Rio - Felix, Renato, Wendell, Toninho Baiano, Rubens Galaxe, Carlos Alberto Torres, Miguel, Silveira, Assis Edinho, Rodrigues Neto, Marco Antônio, Marinho, Pintinho, Zé Mário, Paulo César Caju, Manfrini, Kléber, Rivellino, Gil, Cafuringa, Doval, Dirceu e Mario Sérgio. Minha vida de torcedor vem de uma época em que o Maracanã era sinônimo de grandes espetáculos. Meu Fluminense era uma Máquina criada pelo lendário Francisco Horta que em 2015 completa 40 anos. Os demais clubes do Rio, embora não fossem páreo, tinham em seus ‘camisas 10’ as referências.

Forjei-me tricolor num período em que o futebol era um negócio menos rentável, e talvez por isso, mais apaixonante. Em meu ambiente favorito, a Geral, convivia pelo menos duas vezes por semana com torcedores folclóricos. Simples homens de chinelo, alguns vestidos de super-heróis, e mulheres seminuas.

Era uma diversão à parte. Imagine um ambiente confuso e por vezes desconfortável — como esquecer os copinhos ‘premiados’ arremessados das arquibancadas? —, mas cuja desordem era compensada pelo excesso de originalidade e por uma democracia disponível em poucos lugares do país. Na minha Geral, ricos e pobres, brancos e negros, esqueciam classes e diferenças, em prol de um único objetivo: jogar com seu time e ver a bola de maneira poética estufar as redes em forma de véu. Tempos românticos!

Hoje, estamos em novos tempos, o ‘Padrão Fifa’. Não que o progresso e a tecnologia sejam descartáveis. A evolução certamente transformou o Maracanã em um estádio de nível internacional. No entanto, avanço não é, necessariamente, sinônimo de elitização. Passada a Copa, sinto falta de um espaço popular, que permita ingressos mais baratos e que traga de volta ao templo do nosso futebol o torcedor que de fato vive e sofre com seu clube. Os botequins e as esquinas com pay per view não podem continuar lotados enquanto faixas do estádio ficam vazias.

Wagner Victer é presidente da Faetec

Últimas de _legado_Opinião